Parceria entre Xinhua e Brasil 247

Setor brasileiro de fertilizantes alerta para consequências do conflito no Oriente Médio para agronegócio

14 de março de 20262 min de leitura
Compartilhe

Rio de Janeiro, 13 mar (Xinhua) -- O conflito armado entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã evidenciou mais uma vez a alta dependência do Brasil em relação à importação de fertilizantes e os riscos que as tensões geopolíticas representam para o fornecimento de insumos essenciais para o agronegócio do país sul-americano, alertou o setor nesta sexta-feira.

"O conflito expõe a fragilidade do mercado brasileiro de fertilizantes", afirmou Bernardo Silva, diretor-executivo do Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert).

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, mas importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza na agricultura. Essa dependência é ainda maior no caso da ureia, um fertilizante nitrogenado essencial para culturas como soja, milho e cana-de-açúcar, cujo fornecimento provém quase inteiramente do exterior.

Segundo o Sinprifert, a situação é particularmente relevante devido ao conflito, visto que uma parcela significativa dos carregamentos de ureia que chegam ao Brasil transitam pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia e petroquímica, localizada no Oriente Médio.

Essa situação aumenta a vulnerabilidade do país a potenciais interrupções logísticas decorrentes de conflitos.

Para Silva, o contexto internacional reforça a necessidade de acelerar políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção nacional de fertilizantes, por meio da aceleração do Plano Nacional de Fertilizantes.

O executivo acrescentou que os fertilizantes se tornaram um recurso estratégico em um cenário global marcado por disputas geopolíticas.