Rio de Janeiro, 25 mar (Xinhua) -- A extinção ameaça quase todos os peixes migratórios de água doce do mundo, segundo um relatório global divulgado na Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) por organizações internacionais e citado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, que alerta para o rápido declínio dessas espécies e seus ecossistemas.
De acordo com o relatório, apresentado na COP15 em Campo Grande (Mato Grosso), aproximadamente 97% das espécies avaliadas estão ameaçadas em algum nível, enquanto as populações diminuíram em média 81% desde 1970, refletindo uma tendência crítica que coloca em risco a biodiversidade global e a segurança alimentar.
O documento destaca que os peixes migratórios de água doce desempenham um papel essencial no equilíbrio ecológico dos rios, além de serem fundamentais para a subsistência de milhões de pessoas em diferentes regiões do mundo, especialmente em países em desenvolvimento.
Entre as principais causas do declínio estão a construção de barragens, a fragmentação de rios, a poluição, a sobrepesca e os efeitos das mudanças climáticas -- fatores que interrompem os ciclos migratórios necessários para a reprodução e sobrevivência dessas espécies.
O relatório destaca que a perda de conectividade nos sistemas fluviais é um dos problemas mais graves, pois impede que os peixes completem suas rotas migratórias, afetando diretamente suas taxas de reprodução e aumentando o risco de extinção.
Nesse contexto, o governo do Brasil enfatizou a importância de fortalecer os esforços de conservação e a cooperação internacional para reverter essa tendência, incluindo iniciativas voltadas para a proteção de espécies migratórias e a restauração de ecossistemas de água doce.
O país também está promovendo medidas específicas, como planos de ação para a conservação de espécies na bacia amazônica e em outros sistemas fluviais, com o objetivo de garantir a conectividade dos rios e a sustentabilidade da biodiversidade.
O relatório conclui que, sem ações urgentes e coordenadas globalmente, muitas dessas espécies poderão desaparecer nas próximas décadas, o que teria consequências significativas para os ecossistemas e as comunidades humanas que deles dependem.

