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Escalada do conflito no Oriente Médio gera receios de uma nova crise de refugiados na Europa

27 de março de 20264 min de leitura
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Escalada do conflito no Oriente Médio gera receios de uma nova crise de refugiados na Europa

Foto tirada em 12 de março de 2026 mostra prédios destruídos em Teerã, Irã. (Xinhua/Shadati)

Embora a migração em larga escala para a Europa ainda não tenha se materializado, a Organização Internacional para as Migrações alertou que as condições para um deslocamento mais amplo já existem em uma região afetada por conflitos há muito tempo.

Haia, 25 mar (Xinhua) -- O aumento das tensões no Oriente Médio, após recentes confrontos militares, está gerando preocupações em toda a Europa sobre o risco de uma nova crise de refugiados.

Na terça-feira, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência das Nações Unidas para as migrações, disse que mais de 130 mil pessoas cruzaram a fronteira para a Síria e mais de um milhão foram deslocadas internamente no Líbano desde o início de março.

Embora a migração em larga escala rumo à Europa ainda não tenha se materializado, a agência alertou que as condições para um deslocamento mais amplo já existem em uma região há muito afetada por conflitos.

"Não há sinais" de uma onda iminente de refugiados para a Europa, mas "as coisas podem mudar muito rapidamente", disse o ministro da Migração da Suécia, Johan Forssell, à rede de notícias pan-europeia Euronews no início deste mês.

O vice-ministro da Migração do Chipre, Nicholas Ioannides, alertou em 13 de março que a União Europeia "não pode ignorar a possibilidade de uma nova crise de refugiados".

Os líderes da UE também enfatizaram a necessidade de vigilância, embora o conflito "não tenha se traduzido em fluxos migratórios imediatos em direção à EU", de acordo com as conclusões adotadas após uma reunião do Conselho Europeu.

Manifestantes de direita e extrema-direita participam da "Marcha Contra Marrakech" em frente à sede das instituições da União Europeia em Bruxelas, Bélgica, em 16 de dezembro de 2018. Manifestantes belgas anti-imigração foram às ruas de Bruxelas no domingo para denunciar o Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular, adotado em Marrakech, Marrocos. (XinhuaZheng Huansong)

Com base nas lições da crise migratória de 2015, quando mais de 1 milhão de refugiados e migrantes entraram na Europa, a UE prometeu fortalecer os controles nas fronteiras externas e mobilizar ferramentas diplomáticas, jurídicas, operacionais e financeiras para gerenciar as potenciais pressões migratórias.

"A segurança e o controle das fronteiras externas da UE continuarão sendo reforçados", disse o bloco na última quinta-feira.

A UE também está se preparando para implementar seu Pacto para Migração e Asilo em junho. O pacto introduz procedimentos fronteiriços mais rigorosos e um mecanismo de "solidariedade obrigatória", segundo o qual os Estados-membros dividirão a responsabilidade, realocando requerentes de asilo ou fornecendo apoio financeiro e operacional a países em situação crítica.

As lembranças da crise migratória de 2015 continuam moldando o pensamento político. O fluxo migratório sobrecarregou os sistemas fronteiriços e de asilo, desencadeando divisões políticas no bloco.

Nedzad Korajlic, professor associado da Universidade de Sarajevo, disse que a Bósnia e Herzegovina enfrenta desafios enquanto país de trânsito, incluindo a capacidade limitada de controlo fronteiriço e estruturas de segurança fragmentadas. Segundo ele, a principal questão não é a migração em si, mas as redes criminosas que exploram os migrantes através do contrabando.

Migrantes chegam a uma praia em Dungeness, Reino Unido, em 24 de novembro de 2021. Especialistas apelaram a uma abordagem holística para lidar com a crise da imigração ilegal, após 27 pessoas se afogarem no Canal da Mancha, defendendo rotas mais seguras, a proteção da dignidade dos migrantes e a cooperação entre o Reino Unido e a França, em vez de acusações mútuas. (Foto de Steve Finn/Xinhua)

A Europol, agência policial da União Europeia, soou o alarme. "As redes de tráfico de migrantes operam com crescente complexidade, tanto on-line quanto off-line", disse a diretora-executiva da Europol, Catherine De Bolle, na terça-feira, em Haia. "Elas têm uma dimensão global significativa e dependem de infraestruturas financeiras complexas, incluindo sistemas bancários clandestinos, para movimentar e ocultar seus lucros ilícitos".

A Europol lançou o Centro Europeu de Combate ao Tráfico de Migrantes na terça-feira, em Haia, para aprimorar o compartilhamento de informações e a coordenação operacional entre os Estados-membros.

"Com a criação do Centro Europeu de Combate ao Tráfico de Migrantes, a Europol intensifica seus esforços, aprimorando sua capacidade de apoiar os Estados-membros e reforçando a resposta coletiva a essa ameaça complexa e em constante evolução", disse De Bolle.

Korajlic disse que a Europa está melhor preparada do que no passado, apesar dos riscos persistentes. A criação do centro marca "uma mudança de medidas reativas para preventivas", com maior foco no compartilhamento de informações e na ação coordenada, acrescentou ele.

Agentes da polícia húngara procuram imigrantes ilegais em uma floresta perto da fronteira com a Sérvia em Asotthalom, Hungria, em 7 de fevereiro de 2017. (Xinhua/Attila Volgyi)