Veículos passam pelo Portão de Brandemburgo em Berlim, Alemanha, em 24 de novembro de 2025. (Xinhua/Zhang Haofu)
Líderes da China e da Alemanha enfatizaram a importância de abordar conjuntamente os desafios globais compartilhados. A parceria estratégica abrangente entre a segunda e a terceira maiores economias do mundo manteve um desenvolvimento constante.
Berlim, 27 dez (Xinhua) -- Conforme 2025 chega ao fim, a relação sino-alemã permanece como uma prova de resiliência e continuidade.
Em um ano marcado por significativas mudanças políticas na Alemanha e por um cenário global em transformação, a parceria estratégica abrangente entre a segunda e a terceira maiores economias do mundo manteve um desenvolvimento constante e ganhou ainda mais importância.
LAÇOS BILATERAIS MAIS NOTÁVEIS
O engajamento diplomático entre Beijing e Berlim permaneceu ativo em 2025, marcado por várias interações de alto nível.
Em maio, o presidente chinês Xi Jinping conversou por telefone com o chanceler alemão Friedrich Merz, traçando o rumo para o fortalecimento das relações bilaterais.
Durante a conversa, Xi destacou que, à medida que o mundo passa por mudanças aceleradas sem precedentes em um século e o cenário internacional é marcado por transformações e turbulências, a importância estratégica e global das relações China-Alemanha e China-União Europeia (UE) ficou ainda mais evidente.
Uma relação sólida e estável entre a China e a Alemanha atende aos interesses de ambos os países e às expectativas de diversos setores na China e na Europa, disse Xi.
Por sua vez, Merz disse que as relações entre a Alemanha e a China têm apresentado um desenvolvimento sólido, com o aprofundamento da cooperação gerando bons resultados, acrescentando que a cooperação bilateral é particularmente significativa no atual cenário internacional, visto que tanto a China quanto a Alemanha estão entre as principais economias do mundo.

O vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, copreside o 4º Diálogo Financeiro de Alto Nível China-Alemanha com o vice-chanceler e ministro federal das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, em Beijing, capital da China, em 17 de novembro de 2025. (Xinhua/Dai Tianfang)
Reconhecendo a importância essencial de sua relação bilateral, os dois lados fizeram vários eventos de alto nível e intercâmbios para fortalecer a cooperação, como o 4º Diálogo Financeiro de Alto Nível China-Alemanha e a 8ª rodada do Diálogo Estratégico China-Alemanha sobre Diplomacia e Segurança.
Durante sua visita à China no mês passado, o vice-chanceler e ministro federal das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, observou que são necessários mais diálogos e intercâmbios entre a Alemanha e a China.
No início deste mês, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, fez sua primeira visita à China após assumir o cargo. Em uma declaração antes de sua partida, Wadephul disse que, em tempos de crescente tensão internacional e turbulência geopolítica, discussões diretas e aprofundadas com a China são necessárias, na verdade, indispensáveis.
CONTRIBUINDO JUNTOS PARA ESTABILIDADE E PROSPERIDADE GLOBAIS
Em um mundo que enfrenta regras comerciais fragmentadas e pontos críticos regionais, a coordenação entre as nações atua como uma fonte de certeza muito necessária no cenário internacional.
Líderes da China e da Alemanha enfatizaram a importância de abordar conjuntamente os desafios globais compartilhados. Em sua conversa telefônica com Merz em maio, Xi Jinping pediu que ambos os lados fortalecessem os intercâmbios e a cooperação em áreas como mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável, contribuindo com a sabedoria e as soluções da China e da Alemanha para o desenvolvimento sustentável global.
Fortes laços econômicos e resultados frutíferos de cooperação entre os dois países também constituem bons exemplos de cooperação benéfica para ambos.
O comércio alemão com a China totalizou 185,9 bilhões de euros (219,2 bilhões de dólares americanos) nos três primeiros trimestres de 2025. A China recuperou sua posição como o parceiro comercial mais importante da Alemanha, título que ocupou por oito anos seguidos, de 2016 a 2023.

O carro de número 30 milhões fabricado pela FAW-Volkswagen é fotografado em uma cerimônia realizada em Changchun, na província de Jilin, nordeste da China, em 30 de outubro de 2025. (Xinhua/Zhang Nan)
Ao longo do último ano, as empresas alemãs continuaram fortalecendo sua estratégia "na China, para a China”, com as principais montadoras e empresas de engenharia alemãs aumentando seus investimentos e expandindo suas atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) na China.
De acordo com um relatório divulgado no início deste mês pela Câmara de Comércio Alemã na China, 56% das empresas alemãs na China estão considerando um maior engajamento com parceiros chineses, visando aproveitar o conhecimento e expandir os negócios.
Empresas chinesas também consideram a Alemanha um dos principais destinos de investimento, de olho no potencial da digitalização e do setor energético, segundo uma pesquisa realizada pela Câmara de Comércio Chinesa na Alemanha e pela KPMG na Alemanha em novembro.
Em 25 de novembro, a Volkswagen inaugurou suas novas oficinas de testes em Hefei, capital da província de Anhui, no leste da China, marcando o centro de P&D mais abrangente do grupo fora do mercado doméstico..
Ralf Brandstaetter, presidente e CEO do Grupo Volkswagen na China, disse que estão elevando suas "capacidades de desenvolvimento na China para a China a um novo patamar”.
"As empresas chinesas estão investindo fortemente em IA (inteligência artificial) e mobilidade elétrica. Há oportunidades de cooperação para a economia alemã aqui”, disse Andreas Glunz, sócio-gerente de Negócios Internacionais da KPMG na Alemanha.
RELAÇÕES CHINA-UE CHEIAS DE POTENCIAL
Essa profunda sinergia e integração industrial servem como prova do vasto potencial dentro da relação econômica mais ampla entre a China e a Europa.
Com 2025 marcando o 50º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e a UE, as relações econômicas entre os dois lados têm sido mutuamente benéficas nas últimas cinco décadas, disse Hildegard Mueller, presidente da Associação Alemã da Indústria Automotiva.
As relações econômicas com a China geraram crescimento, prosperidade e valor agregado, particularmente na Alemanha, mas também em toda a Europa, disse ela em um comunicado divulgado no início deste ano. Ela acrescentou que a UE e a China compartilham a responsabilidade de fortalecer a ordem comercial internacional apoiada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e acelerar a transição para a neutralidade climática e a mobilidade digital.

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, copreside a 25ª edição da Cúpula China-UE com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Grande Salão do Povo, em Beijing, capital da China, em 24 de julho de 2025. (Xinhua/Liu Bin)
Em julho deste ano, a 25ª edição da Cúpula China-UE foi realizada em Beijing, durante a qual os líderes dos dois lados discutiram a futura cooperação em economia, comércio e investimento, além de seus esforços conjuntos para lidar com desafios globais, como as mudanças climáticas.
A parceria verde China-UE é uma parte importante da parceria China-UE, disse um comunicado conjunto divulgado após a cúpula. A sustentabilidade é um aspecto fundamental da cooperação China-UE, e ambos os lados têm uma base sólida e amplo espaço para cooperação no campo da transição verde, observou o relatório.
Sacha Courtial, pesquisador associado do Instituto Jacques Delors, com sede em Paris, disse que, apesar dos obstáculos ao desenvolvimento de suas relações, a UE e a China compartilham uma responsabilidade global fundamental de manter a cooperação em desafios globais.


