Foto tirada em 14 de fevereiro de 2026 mostra um momento da 39ª edição da Sessão Ordinária da Assembleia de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA) em Adis Abeba, Etiópia. (Xinhua/Xie Jianfei)
A mensagem de felicitações do presidente chinês Xi Jinping à 39ª edição da Cúpula da União Africana (UA) realizada na Etiópia demonstra o firme apoio da China ao desenvolvimento independente da África.
Adis Abeba, 15 fev (Xinhua) -- A mensagem de felicitações do presidente chinês Xi Jinping à 39ª edição da Cúpula da União Africana (UA) teve grande repercussão em todo o continente africano e na comunidade internacional em geral.
Em sua mensagem, Xi anunciou que a China implementará integralmente o tratamento de tarifa zero para 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com a China a partir de 1º de maio de 2026. Ele também destacou os esforços para aprimorar o "canal verde" para as exportações africanas.
Autoridades africanas, acadêmicos e representantes da ONU observaram que a mensagem demonstra o firme apoio da China ao desenvolvimento independente da África.
OPORTUNIDADES COMPARTILHADAS PARA A MODERNIZAÇÃO
Henry Okello Oryem, ministro de Estado para Assuntos Exteriores de Uganda, responsável pela cooperação internacional, elogiou os esforços de Xi para aumentar o comércio entre a África e a China. "A tarifa zero para produtos africanos na China é uma boa oportunidade e uma oportunidade especial para aumentarmos nossas exportações para a China", disse ele.
Da mesma forma, Benard Mono, diretor-geral interino do Banco de Desenvolvimento da África Oriental, acredita que a política impulsionará significativamente as exportações africanas. "Significa que haverá mais produção industrial e mais empregos criados na África", disse ele.
Diversas empresas africanas com foco no mercado chinês observaram que as novas medidas, como a política de tarifa zero, trarão novas oportunidades para expandir o comércio com a China e aumentar a competitividade de seus produtos.

Trabalhadoras separam pacotes de café de uma máquina no Parque Africano do Café, no distrito de Ntungamo, oeste de Uganda, em 29 de novembro de 2025. (Foto de Ronald Ssekandi/Xinhua)
Jackson Mponela, gerente de produção para comércio e desenvolvimento da Tanzania Future Enterprises Company Limited, disse que a iniciativa de tarifa zero reduzirá significativamente o custo dos produtos tanzanianos que entram no mercado chinês. Isso "nos dará uma vantagem de preço e também nos motivará a expandir a escala de produção e melhorar a qualidade dos produtos", disse ele.
"A cooperação China-África não se resume à ajuda tradicional ou à cooperação em projetos, mas permite que as empresas africanas participem verdadeiramente do processo de modernização e desenvolvimento por meio de oportunidades de mercado, comércio e indústria", acrescentou ele.
Herman Uwizeyimana, gerente-geral da Fisher Global, em Ruanda, disse: "As políticas abertas e o apoio concreto da China estão entre os maiores impulsionadores do crescimento das exportações das empresas africanas para a China, tornando o comércio entre África e China mais fluido e a cooperação mais duradoura".
Em declaração à imprensa à margem da 39ª edição da Cúpula da UA, o secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou a política de tarifa zero da China para os países africanos e apelou "a todos os países desenvolvidos e a todos os países com grande potencial econômico para que adotem a mesma medida".
"A África precisa de livre comércio para seus produtos e não pode ser penalizada, sendo um continente com enormes dificuldades econômicas, por políticas comerciais restritivas e por tarifas que impedem a competitividade dos produtos africanos", declarou o chefe da ONU.
Ao observar a "multiplicação das tarifas nos últimos tempos", Guterres reiterou seu forte apoio ao livre comércio e sua defesa da "redução dos níveis tarifários em nível global, a fim de promover a prosperidade mundial".
70 ANOS DE JORNADA COMPARTILHADA
O ano de 2026 marca o 70º aniversário das relações diplomáticas entre a China e os países africanos, algo que ressalta uma parceria madura, em constante evolução e profundamente enraizada.
"O simbolismo da mensagem de felicitações enviada pelo presidente Xi Jinping à cúpula da UA é um sinal de compromisso contínuo, amizade contínua e da beleza da amizade China-África", disse Jito Kayumba, assessor especial do presidente da Zâmbia para finanças e investimentos, acrescentando que "isso se reflete em ações concretas".
Michael Ndimancho, pesquisador da Universidade de Douala, em Camarões, disse que a mensagem de Xi é sincera e comovente. "Ao ler a carta, senti a presença de um parceiro sincero e fraterno para a África", disse ele.
"Ao longo dos anos, as trocas e a cooperação entre a China e a África em matéria de redução da pobreza, segurança alimentar, industrialização e desenvolvimento sustentável vem ajudando a África a desempenhar um papel mais importante na governança global", disse ele.
Ao longo dos últimos 70 anos, as relações entre África e China deram um salto, disse Tabani Moyo, pesquisador da Escola de Negócios e Liderança da Universidade de KwaZulu-Natal.
A cooperação bilateral se expandiu de áreas tradicionais como infraestrutura e comércio para setores emergentes como modernização industrial, inovação digital e energia verde, disse Moyo.
Essas colaborações aprimoraram a capacidade dos países africanos de se tornarem "atores ativos na produção e fabricação de commodities que, posteriormente, chegarão ao cenário global", disse ele.

Foto aérea tirada em 13 de dezembro de 2019 mostra a usina solar de 50 MW em Garissa, Quênia. A usina, projetada e construída pela empreiteira EPC China Jiangxi Corporation for International Economic and Technical Co-operation (CJIC), em conjunto com a Autoridade de Energia Rural do Quênia (REA, na sigla em inglês), é uma das maiores usinas fotovoltaicas da África. (Xinhua/Xie Han)
Humphrey Moshi, diretor do Centro de Estudos Chineses da Universidade de Dar es Salã, na Tanzânia, observou que a Ferrovia TAZARA continua sendo um forte símbolo de amizade até hoje.
Nos últimos anos, projetos como estradas, portos e instalações de energia melhoraram significativamente a qualidade de vida e as condições econômicas do povo africano.
Além da infraestrutura, Moshi disse que a cooperação na formação de talentos também obteve avanços significativos, "ajudando a África a construir um crescimento autossustentável mais forte".
UNINANDO O SUL GLOBAL
Em sua mensagem, Xi destacou as mudanças aceleradas no cenário global e o notável crescimento do Sul Global, elogiando a UA por liderar os países africanos no avanço da integração.
Diante do hegemonismo, do unilateralismo e dos rompimentos tarifários, "o Sul Global, personificado pela solidariedade China-África, é fundamental para a multipolaridade e a equidade", disse Raimundo Gonçalves, especialista em relações internacionais da Associação para o Estudo da China em Angola.
Dereck Goto, comentarista político do Zimbábue, disse que 2026 marca o início do 15º Plano Quinquenal da China. "A próxima fase de desenvolvimento da China enfatiza a inovação, o crescimento verde, a modernização tecnológica e cadeias de suprimentos resilientes. Isso se alinha diretamente com as ambições industriais da África", disse ele.

Expositores atendem visitantes em seus estandes na Cúpula de Tecnologia da África em Nairóbi, Quênia, em 11 de fevereiro de 2026. (Foto de Henry Naminde/Xinhua)
"Conforme a China prioriza o crescimento de maior qualidade e a expansão da demanda interna, as economias africanas que fortalecerem a capacidade de processamento e manufatura estarão em melhor posição para se integrar a esses setores emergentes", acrescentou Goto.
Olhando para o futuro, Adhere Cavince, um acadêmico queniano de relações internacionais, disse que a China e a África unirão forças para estabelecer um modelo de modernização e desenvolvimento mutuamente benéfico para ambos os lados.
"A parceria deve gerar prosperidade tangível, respeitar a soberania e contribuir para uma ordem mundial justa e inclusiva, onde o Sul Global molde seu próprio destino", disse Cavince.


