Foto mostra uma sessão da Assembleia Geral para eleger membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU, na sede da ONU em Nova York, em 3 de junho de 2026. (Eskinder Debebe/Foto da ONU/Divulgação via Xinhua)
Especialistas apontaram as abordagens diplomáticas controversas da Alemanha, além de sua campanha tardia, como razões principais para sua derrota na disputa por vagas não permanentes no Conselho de Segurança da ONU.
Berlim, 5 jun (Xinhua) -- A Alemanha sofreu sua primeira derrota em uma eleição para o Conselho de Segurança da ONU na quarta-feira, perdendo para Portugal e Áustria na disputa por vagas não permanentes.
Por que a maior economia da Europa, que garantiu uma das vagas da Europa Ocidental no Conselho de Segurança a cada oito anos durante décadas, perdeu a eleição desta vez? Abaixo o que sabemos.
UMA DERROTA RÁPIDA
Sem passar por múltiplas rodadas de votação como o Quirguistão e as Filipinas, a Alemanha, país que há muito almeja uma vaga permanente no Conselho de Segurança, foi eliminada na primeira rodada da disputa no grupo da Europa Ocidental e Outros.
De acordo com as regras da eleição, os candidatos precisam obter dois terços dos votos para conquistar uma vaga. Na disputa de dois em três, Portugal obteve 134 votos e a Áustria 131, ambos ultrapassando o limite necessário, enquanto a Alemanha foi eliminada com 104 votos.
Em um comunicado divulgado na quarta-feira, o chanceler alemão Friedrich Merz parabenizou os candidatos vencedores, enfatizando a estreita parceria europeia entre eles.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, declarou à emissora pública ARD que o resultado foi uma "grande decepção".
ENTRADA TARDIA E VAGA
Wadephul atribuiu a derrota principalmente à entrada tardia da Alemanha na corrida. Ele disse que a Áustria e Portugal receberam mais votos devido às suas candidaturas anteriores e aos compromissos resultantes de outros países.
No entanto, especialistas também apontaram as controversas abordagens diplomáticas da Alemanha, além da campanha tardia, como principais razões para o fracasso.
A revista alemã Der Spiegel disse que muitos países aparentemente usaram a votação para demonstrar seu descontentamento com a política externa alemã nos últimos anos, observando que a Alemanha há muito tempo evita se pronunciar sobre se os ataques militares dos EUA à Venezuela constituíam uma violação do direito internacional.
Essa ambiguidade foi provavelmente um dos motivos pelos quais muitos países se recusaram a apoiar a candidatura da Alemanha na votação, segundo a reportagem.
Diversos veículos da mídia alemã também disseram que a estreita relação da Alemanha com Israel pode ter custado votos essenciais.

Foto tirada em 14 de abril de 2026 mostra prédio destruído em ataques dos EUA e de Israel em Teerã, Irã. (Xinhua/Shadati)
A emissora alemã ZDF disse que críticos acusaram o governo alemão de aplicar "dois pesos e duas medidas" ao direito internacional, particularmente em relação à sua relutância em condenar explicitamente as ações de Israel em Gaza, assim como as ações dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
A implementação da política alemã também foi questionada. "Não foi falta de ambição, mas a capacidade de traduzi-la em resultados. Isso permeia toda a política externa e de segurança da Alemanha", disse Alexander Wolf, chefe do escritório da Fundação Hanns Seidel na capital.
De acordo com Wolf, a Bundeswehr não melhorou tanto quanto prometido, e a autonomia estratégica é discutida com muito mais frequência do que colocada em prática.
VOZES DE PAÍSES MENORES
Um fator essencial para o sucesso dos dois países europeus que superaram a Alemanha nas eleições foi seu compromisso com o multilateralismo.
"Como um país pequeno, a Áustria tornou crível sua posição como voz dos países pequenos", disse a ministra dos Negócios Estrangeiros austríaca, Beate Meinl-Reisinger, ao comentar a vitória eleitoral do país.
Como um país permanentemente neutro, a Áustria tem sido defensora do multilateralismo em um mundo marcado por conflitos contínuos. O presidente austríaco, Alexander Van der Bellen, disse na quarta-feira que a Áustria promoverá firmemente o multilateralismo no Conselho de Segurança da ONU, com base no direito internacional e nos direitos humanos.

O presidente austríaco, Alexander Van der Bellen, discursa em Viena, Áustria, em 12 de fevereiro de 2025. (Foto de Georges Schneider/Xinhua)
Em relação à vitória de Portugal, os especialistas geralmente consideram a eleição como resultado de mais de uma década de esforços diplomáticos contínuos, e não como uma conquista de curto prazo.
Daniel Cardoso, professor associado do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Autônoma de Lisboa, declarou à imprensa local que Portugal lançou sua campanha por uma vaga no Conselho de Segurança da ONU em 2013 e manteve o esforço ao longo de sucessivos governos de diferentes orientações políticas.
O ministro das Relações Exteriores português, Paulo Rangel, disse que uma das maiores forças de Portugal é sua capacidade de "construir pontes". Como membro da UE e da OTAN, e mantendo laços estreitos com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, África, América Latina e Ásia, Portugal é amplamente visto como um país capaz de conectar diferentes regiões e perspectivas políticas.


