Rio de Janeiro, 15 jun (Xinhua) -- As cidades do futuro devem integrar florestas em seu projeto e operação para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, melhorar a qualidade de vida de seus habitantes e garantir uma relação mais equilibrada entre humanos e natureza, argumentaram especialistas reunidos recentemente no Brasil durante um seminário internacional sobre planejamento urbano e sustentabilidade.
A proposta foi apresentada durante a terceira edição do Seminário Internacional Transmutar, realizado em Brumadinho, Minas Gerais, sudeste do Brasil, onde pesquisadores discutiram alternativas para adaptar os espaços urbanos aos desafios ambientais do século XXI.
Entre os participantes estava o neurobiólogo e escritor italiano Stefano Mancuso, um dos maiores especialistas mundiais no estudo da inteligência vegetal, que defendeu que as cidades modernas devem abandonar modelos focados exclusivamente em infraestrutura construída e incorporar uma maior presença de vegetação.
Segundo Mancuso, as cidades foram concebidas como espaços separados da natureza, mas esse modelo já não responde adequadamente aos desafios atuais. Para ele, é necessário pensar em cidades que funcionem como ecossistemas vivos, integrando as plantas à própria estrutura urbana.
O pesquisador apresentou o conceito de "fitópolis", um modelo urbano inspirado na organização das plantas que propõe transformar as cidades em ambientes mais verdes e resilientes, adaptáveis às mudanças climáticas.
Segundo ele, quase 70% da população mundial vive atualmente em cidades, uma proporção que continuará a crescer nas próximas décadas. Nesse contexto, ele defendeu a necessidade de reduzir as superfícies impermeáveis e expandir significativamente a cobertura vegetal.
O pesquisador afirmou que mesmo a substituição de uma parcela relativamente pequena de áreas asfaltadas por árvores e espaços verdes poderia trazer benefícios significativos para a temperatura urbana, a qualidade do ar e a saúde física e mental da população.
O cientista também argumentou que a vegetação deve ser incorporada a edifícios, ruas e espaços públicos, e não limitada a parques isolados.
Segundo a proposta, as cidades devem visar uma cobertura vegetal de aproximadamente 60% de sua área urbana, além de promover sistemas de transporte público eficientes e reduzir gradualmente sua dependência de combustíveis fósseis.
Os participantes do seminário enfatizaram que a presença de árvores e florestas urbanas ajuda a mitigar as ilhas de calor urbanas, melhora a absorção de água da chuva, reduz o risco de inundações e contribui para a preservação da biodiversidade.
A pesquisadora brasileira Isabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente e uma das palestrantes do evento, afirmou que as cidades precisam incorporar soluções baseadas na natureza para lidar com fenômenos climáticos cada vez mais frequentes.
Segundo ela, não é possível pensar o futuro das cidades sem integrar a natureza ao planejamento urbano. Ela acrescentou que os desafios climáticos exigem novos modelos de governança e formas inovadoras de planejamento.

