Ônibus elétricos fabricados em Uganda impulsionam mobilidade verde

23 de maio de 20265 min de leitura
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Ônibus elétricos fabricados em Uganda impulsionam mobilidade verde

Trabalhadores consertam para-brisa de um ônibus elétrico na fábrica de veículos Kiira em Jinja, no leste de Uganda, em 18 de maio de 2026. (Foto de Hajarah Nalwadda/Xinhua)

Nas ruas movimentadas de Campala, capital de Uganda, uma transformação silenciosa está acontecendo. Ônibus elétricos modernos, fabricados localmente, estão se tornando parte do ritmo diário da cidade, marcando o avanço acelerado do país em direção a um transporte urbano mais verde e sustentável.

Campala, 21 mai (Xinhua) -- Nas ruas movimentadas de Campala, capital de Uganda, uma transformação silenciosa está acontecendo. Ônibus elétricos modernos, fabricados localmente, estão se tornando parte do cotidiano da cidade, marcando o avanço acelerado do país rumo a um transporte urbano mais verde e sustentável.

Desde seu lançamento, os ônibus elétricos de 40 lugares, na cor verde e cinza, têm atraído cada vez mais a atenção do público. Equipados com Wi-Fi a bordo, permitem que os passageiros compartilhem fotos e vídeos de suas viagens nas redes sociais em tempo real, transformando os deslocamentos diários em símbolos visíveis das soluções emergentes de mobilidade verde.

A jornada de Uganda rumo à mobilidade elétrica remonta a 2016, quando o país apresentou o primeiro ônibus elétrico movido a energia solar da África, o Kayoola, cujo nome pode ser traduzido livremente como "transporte coletivo".

No centro dessa transição estão a Kiira Motors Corporation (KMC) e sua subsidiária E-Bus Xpress Kiira Ltd., que lideram os esforços para expandir a mobilidade elétrica em todo o país.

Um engenheiro é fotografado em um ônibus elétrico na fábrica de veículos Kiira, em Jinja, no leste de Uganda, em 18 de maio de 2026. (Foto de Hajarah Nalwadda/Xinhua)

Durante uma recente visita da imprensa à fábrica da empresa, o diretor-geral, Ian Kyeyune, disse que o número de ônibus em operação nas rotas urbanas deverá aumentar de 16 para 45 em um mês.

Ele acrescentou que Uganda planeja produzir mais de 1.500 ônibus elétricos no próximo ano, como parte de uma estratégia nacional mais ampla de mobilidade elétrica, que visa atingir 15.000 veículos elétricos até 2030.

"Nosso objetivo é transportar mais de cinco milhões de ugandenses diariamente. Isso significa que, em cada rota transitável por veículos motorizados, deve haver um ônibus elétrico Kayoola", disse Kyeyune.

Para apoiar essa mudança, as autoridades municipais estão reformulando a gestão do tráfego urbano, removendo o estacionamento nas ruas do centro da cidade e introduzindo faixas exclusivas para ônibus, com o objetivo de reduzir o congestionamento e priorizar o transporte público em uma cidade tradicionalmente dominada por veículos movidos a combustível.

Um engenheiro caminha dentro de um ônibus elétrico na fábrica de veículos Kiira, em Jinja, Uganda Oriental, em 18 de maio de 2026. (Foto de Hajarah Nalwadda/Xinhua)

O governo também está expandindo o setor por meio de uma campanha que incentiva a participação privada. De acordo com a iniciativa, as empresas de transporte podem ser proprietárias de ônibus, enquanto os investidores podem adquirir vagas por períodos determinados em contratos de franquia. As autoridades também planejam estender os serviços de ônibus elétricos além de Campala para rotas intermunicipais em todo o país.

Os engenheiros da KMC dizem que os ônibus elétricos oferecem claras vantagens econômicas em relação às alternativas movidas a diesel, principalmente em custos de aquisição, manutenção e assistência técnica.

"Economizamos mais de 60% nos custos de energia. Enquanto um táxi comum gastaria 1.800 xelins (cerca de 0,48 dólares americanos), nós gastamos apenas 800 xelins por quilômetro rodado com energia", disse Kyeyune.

Ele acrescentou que estudos indicam que as operadoras podem recuperar o investimento em cerca de três anos, graças à redução nos gastos com combustível. As baterias, com vida útil estimada em 12 anos, podem ser reutilizadas posteriormente em aplicações como armazenamento de energia solar.

Richard Madanda, diretor de produção da KMC, disse que as baterias utilizadas nos ônibus são importadas da China e que a empresa está trabalhando em estreita colaboração com parceiros chineses para desenvolver conhecimento técnico local em tecnologia de veículos elétricos.

Operários soldam estrutura de um ônibus na oficina de ônibus elétricos da fábrica de veículos Kiira, em Jinja, Uganda Oriental, em 18 de maio de 2026. (Foto de Hajarah Nalwadda/Xinhua)

"Estamos trabalhando com um parceiro da China porque a indústria automobilística deles, em termos de veículos elétricos, é a melhor do mundo. Queremos aprender com os melhores", disse Madanda.

Uganda também está testando suas ambições de mobilidade elétrica além de suas fronteiras. No final do ano passado, Uganda lançou uma expedição africana com um ônibus elétrico fabricado localmente, que percorreu 13.000 km por cinco países africanos: Tanzânia, Zâmbia, Botsuana, Essuatíni e África do Sul.

A jornada teve como objetivo demonstrar a resistência dos ônibus elétricos fabricados na África e promover uma adoção mais ampla de soluções de mobilidade verde. O ônibus elétrico usado na expedição tem uma autonomia de 500 km por carga.

Para Kyeyune, a mudança vai além do transporte e reflete a autossuficiência tecnológica.

"Trata-se de a África fornecer ou ser a fonte líquida de soluções de mobilidade para si mesma", disse Kyeyune. "Atingimos a maturidade e estamos fornecendo soluções para nossos próprios problemas. Mas o principal benefício disso é a capacidade de ter acesso a essa tecnologia a um custo acessível", concluiu Kyeyune.

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