(Multimídia) Políticas, abertura e plataformas fortalecem cooperação comercial China-África

24 de junho de 20265 min de leitura
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(Multimídia) Políticas, abertura e plataformas fortalecem cooperação comercial China-África

   Beijing, 24 jun (Xinhua) -- Em uma praça comercial de Changsha, a capital da Província de Hunan, no centro da China, consumidores compram produtos especiais africanos. Entre eles, uma cliente experimenta uma loção corporal feita com manteiga de karité originária do Mali, de textura branca cremosa e fragrância adocicada.

   "Graças à política chinesa de tarifa zero, os custos das matérias-primas caíram entre 20% e 25%, e repassamos essa economia diretamente aos consumidores", disse Zuo Dongnan, que há anos atua no comércio entre a China e o Mali. Segundo ele, a empresa importa cerca de 300 mil toneladas de matérias-primas por ano, e o volume continuará crescendo.

   Desde 1º de maio deste ano, a China ampliou o tratamento de tarifa zero para todos os 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com o país. Para os países africanos de língua portuguesa, essa política abre novas possibilidades.

   Na Guiné-Bissau, os produtos como castanha de caju, pescado, e gergelim podem se beneficiar do tratamento tarifário favorável. Segundo Lassana Fati, diretor-geral do Comércio Externo do Ministério do Comércio e Indústria da Guiné-Bissau, como a agricultura é um pilar da economia guineense e está ligada ao sustento de muitas famílias, a ampliação do acesso ao mercado chinês é vista como uma oportunidade para conectar melhor a produção local à demanda chinesa, atrair investimentos, aumentar a competitividade e apoiar a redução da pobreza.

   Lassana escreveu em um artigo que a política de tarifa zero da China representa uma medida prática de apoio econômico, capaz de ajudar o país a transformar a riqueza em recursos em vantagens de desenvolvimento. Segundo ele, a Guiné-Bissau está disposta a aprofundar a cooperação econômica e comercial com a China e compartilhar oportunidades de desenvolvimento.

   Em 8 de junho, durante um encontro entre a embaixadora da China em Moçambique, Zheng Xuan, e o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas de Moçambique, Roberto Mito Albino, Albino elogiou as relações entre Moçambique e a China e os resultados da cooperação agrícola entre os dois países, agradecendo o apoio de longa prazo da China ao desenvolvimento agrícola de Moçambique e manifestando a disposição de fortalecer o diálogo sobre políticas e a cooperação prática, a fim de promover a entrada de mais produtos moçambicanos de alta qualidade no mercado chinês.

   Para que os benefícios da tarifa zero se convertam efetivamente em comércio, é necessário também reduzir barreiras técnicas e facilitar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês. O comércio internacional de produtos agrícolas envolve exigências de inspeção e quarentena.

   Para facilitar a entrada de produtos africanos no mercado chinês, a Província de Hunan lançou sistemas pioneiros de avaliação prévia para alimentos africanos exportados à China. O mecanismo permite que especialistas chineses revisem padrões de produção e processamento antes do embarque, encurtando o período de inspeção e ajudando pequenos exportadores africanos a ajustar processos com antecedência.

   Os resultados são visíveis. Em 2025, as importações de Hunan provenientes da África cresceram 27,2%, atingindo 30,92 bilhões de yuans (US$ 4,56 bilhões). Os consumidores chineses agora desfrutam dos abacaxis frescos do Benin, dos grãos de café da Etiópia e dos grãos de cacau de Uganda, enquanto se espera que as importações de nozes de macadâmia da África do Sul e de abacates do Quênia continuem aumentando.

   Além da facilitação comercial, a construção de plataformas permanentes de cooperação tornou-se outro fator importante para aprofundar os laços econômicos e comerciais entre China e África. Em Changsha, um pavilhão de exposição permanente no Grande Mercado de Gaoqiao reúne produtos de todos os 53 países africanos com relações diplomáticas com a China. O local abriga também centros de serviços, incluindo um escritório de ligação para instituições empresariais China-África, oferecendo serviços comerciais durante todo o ano.

   Como sede permanente da Exposição Econômica e Comercial China-África (CAETE, em inglês), Hunan facilitou a assinatura de 512 projetos, no valor total de US$ 64,71 bilhões, ao longo de quatro edições do evento. O comércio da província com a África tem se mantido acima de 50 bilhões de yuans há vários anos consecutivos.

   Aproveitando a CAETE e a zona-piloto para cooperação econômica e comercial aprofundada entre a China e a África, a Província de Hunan pretende atingir 100 bilhões de yuans em comércio anual com a África até 2028 e fomentar mais de 150 empresas, cada uma com volume de negócios superior a 100 milhões de yuans no comércio com a África, afirmou Shen Yumou, diretor do Departamento de Comércio da Província de Hunan, durante uma visita a Angola, acrescentando que ele espera que os dois lados reforcem a coordenação em áreas como construção de infraestrutura, desenvolvimento de novas fontes de energia e cooperação agrícola, a fim de explorar em conjunto os modelos de cooperação mutuamente benéficos.

   A Província de Hunan fortalecerá a inovação institucional e a integração de políticas, explorará ativamente novas formas, modelos e mecanismos de negócios para a cooperação econômica com a África e ampliará novas formas de comércio de troca, ao mesmo tempo que promoverá o desenvolvimento integrado da produção, do processamento e do comércio, disse Shen Xiaoming, secretário do Comitê Provincial de Hunan do Partido Comunista da China.

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