Bao Zengtao (esquerda), um cirurgião geral chinês, verifica o estado de recuperação de uma paciente em Zanzibar, Tanzânia, em 17 de março de 2026. (35ª equipe médica chinesa em Zanzibar/Divulgação via Xinhua)
Após uma operação de quase 5 horas e meia, Khadija Suleiman, 46 anos, passou de uma dieta líquida para se alimentar de forma independente, enquanto a grande protuberância abdominal que dominava sua vida desapareceu.
Zanzibar, Tanzânia, 12 mai (Xinhua) -- Por quase dois anos, Khadija Suleiman, 46 anos, lutou contra dores constantes e mobilidade limitada, já que um inchaço abdominal enorme dificultava até mesmo as atividades diárias mais simples.
A mãe de três filhos, moradora de Zanzibar, na Tanzânia, já havia passado por duas cirurgias malsucedidas após desenvolver uma hérnia incisional depois de uma cirurgia ginecológica.
A cada vez, ela esperava que o problema tivesse sido resolvido, apenas para a condição retornar, maior e mais dolorosa.
"Eu mal conseguia me mover livremente e ter uma vida normal", lembrou Suleiman após receber alta recentemente do Hospital Lumumba, na Ilha de Unguja. "Eu estava perdendo a esperança".
No entanto, a esperança foi reacendida recentemente quando médicos da 35ª equipe médica chinesa em Zanzibar se juntaram a cirurgiões locais do hospital para realizar a primeira cirurgia complexa de reparo de hérnia incisional gigante da parede abdominal com tela.
A operação foi liderada por Bao Zengtao, um cirurgião geral chinês que trabalhou com o cirurgião local, Haithem Salim, e outros profissionais da Tanzânia.
Bao, chefe da 35ª equipe médica chinesa em Zanzibar, disse que o caso de Suleiman era particularmente complexo devido ao fracasso de cirurgias anteriores e à formação de extensas aderências internas ao longo do tempo.

Foto aérea tirada por drone em 11 de dezembro de 2024 mostra vista de Stone Town em Zanzibar, Tanzânia. (Xinhua/Han Xu)
Após analisar tomografias computadorizadas e realizar exames detalhados, os médicos chineses e tanzanianos desenvolveram um plano cirúrgico abrangente para reparar a hérnia com segurança, minimizando os riscos pós-operatórios.
Durante a operação, a equipe encontrou outras complicações, incluindo dilatação colônica grave e aderências no intestino delgado, o que aumentou significativamente a complexidade do procedimento.
Para reduzir a pressão abdominal e melhorar as perspectivas de recuperação, os cirurgiões realizaram primeiro uma hemicolectomia direita e a liberação e ressecção parcial das aderências do intestino delgado antes de realizar a correção da hérnia da parede abdominal com o uso de tela cirúrgica. Eles também reconstruíram a pele abdominal danificada para melhorar a cicatrização.
Após quase cinco horas e meia, a operação foi concluída com sucesso. Bao realizou visitas diárias à enfermaria e supervisionou a recuperação de Suleiman por meio de reabilitação personalizada e monitoramento rigoroso.
Gradualmente, ela recuperou as forças. Passou de uma dieta líquida para se alimentar sozinha, enquanto a grande protuberância abdominal que dominava sua vida desapareceu.
Com lágrimas nos olhos, Suleiman apertou a mão de Bao e expressou gratidão à equipe médica. "Os médicos chineses me deram uma segunda chance na vida", disse ela.
Para o cirurgião local Salim, a cirurgia foi um importante marco profissional.
"Foi a primeira vez que participei de uma correção de hérnia da parede abdominal tão complexa", disse ele. "Trabalhar em estreita colaboração com os especialistas chineses fortaleceu muito minha confiança e minhas habilidades".
Ele acrescentou que a cooperação proporcionou uma valiosa experiência prática para ajudar a melhorar a capacidade cirúrgica local no tratamento de casos difíceis no futuro.
A cirurgia foi elogiada pelos médicos do Hospital Lumumba como um importante avanço para os serviços de saúde de Zanzibar, demonstrando como a cooperação médica entre a China e a Tanzânia está ajudando a expandir o acesso a tratamentos avançados e, ao mesmo tempo, a fortalecer o conhecimento local.

O urologista chinês Wang Kunpeng (frente) realiza procedimento minimamente invasivo utilizando equipamento endoscópico no Hospital Lumumba, em Zanzibar, Tanzânia, em 22 de janeiro de 2026. (35ª equipe médica chinesa em Zanzibar/Divulgação via Xinhua)
"Um total de mais de 10.000 consultas ambulatoriais e mais de 6.679 internações foram realizadas desde que chegamos aqui em setembro do ano passado", disse Bao.
A equipe realizou 1.564 cirurgias de emergência e eletivas, ofereceu terapias de medicina tradicional chinesa e acupuntura a 1.340 pacientes, tratou mais de 366 casos de pacientes em estado crítico e auxiliou em 318 partos, acrescentou ele.
Mais de 50 novas técnicas médicas foram introduzidas. A equipe também realizou 19 clínicas gratuitas em empresas chinesas na Tanzânia e em comunidades locais, oferecendo educação em saúde, exames médicos gratuitos, consultas com especialistas e experiências com a medicina tradicional chinesa, beneficiando mais de 5.000 pessoas.


