Foto tirada em 7 de maio de 2026 mostra a Casa Branca atrás de um semáforo em Washington, D.C., Estados Unidos. (Xinhua/Li Rui)
"A questão mais profunda é que ambos os países têm visões conflitantes para o futuro do Oriente Médio. Os Estados Unidos buscam preservar uma ordem regional construída em torno de suas alianças, enquanto o Irã busca reconhecimento como uma grande potência regional com legítimos interesses de segurança", disse à Xinhua, Abdel Majid Suwailem, analista político palestino.
Beijing, 12 jun (Xinhua) -- Os Estados Unidos e o Irã trocaram novas rodadas de ataques nos últimos dias, aumentando os temores de uma escalada regional em meio a uma frágil situação de cessar-fogo.
Especialistas sugerem que as últimas trocas visam, em grande parte, sinalizar dissuasão. Embora nenhum dos lados pareça interessado em retornar a uma guerra em grande escala, o impasse nas negociações sobre questões-chave sugere um período de confronto sustentado e de baixa intensidade.
NOVAS RODADAS DE ATAQUES
Washington e Teerã trocaram diversas rodadas de ataques esta semana. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) disse na quinta-feira que atacou e destruiu 18 "alvos importantes" dos EUA em resposta a novos ataques americanos.
Bahrein e Kuwait disseram que suas forças de defesa aérea interceptaram mísseis e drones. O Kuwait anunciou o fechamento temporário de seu espaço aéreo como medida de precaução.

Membros da Defesa Civil do Bahrein apagam incêndio causado por destroços de drones iranianos interceptados em Hamad Town, Bahrein, em 11 de junho de 2026. (Ministério do Interior do Bahrein/Divulgação via Xinhua)
Enquanto isso, o Comando Central dos EUA disse ter concluído ataques adicionais contra múltiplos alvos iranianos em resposta à "agressão injustificada e contínua" do Irã.
A escalada ocorreu após um helicóptero de ataque Apache do Exército dos EUA cair perto do Estreito de Ormuz na segunda-feira.
"Acabei de ser informado... que ontem à noite os iranianos abateram um de nossos sofisticados helicópteros Apache enquanto patrulhava o Estreito de Ormuz", disse o presidente dos EUA, Donald Trump, em uma publicação na plataforma Truth Social.
"Os Estados Unidos devem, necessariamente, responder a este ataque", acrescentou ele.
A mídia americana, citando um oficial dos EUA, informou na quarta-feira que não estava claro se o drone iraniano alvejou o Apache intencionalmente ou se foi acidentalmente.
ESCALADA SOB CONTROLE
Analistas observaram que os ataques limitados das forças armadas americanas contra o Irã ressaltaram mais uma vez o dilema do governo Trump em relação a Teerã: sentir-se compelido a responder militarmente, mas receoso de se envolver em um conflito maior.
"O governo Trump provavelmente considerou a ação militar necessária para restaurar a dissuasão e demonstrar que ataques que resultassem em danos a pessoal ou bens americanos não ficariam sem resposta", disse à Xinhua, Ahmed Rafiq Awad, analista político palestino.
"Ao mesmo tempo, Washington manteve a operação deliberadamente limitada porque entende os riscos de uma guerra mais ampla com o Irã. Os Estados Unidos queriam enviar uma forte mensagem política e militar sem desencadear um conflito regional que poderia se mostrar custoso e imprevisível", disse Awad.
"O cálculo parece ter sido punir e dissuadir, preservando espaço para a diplomacia futura e evitando um envolvimento militar prolongado", disse ele.
Pesquisadores do Centro de Jerusalém para Segurança e Relações Exteriores também observaram que "a prioridade atual de Washington é a estabilidade, prevenindo uma crise energética e evitando um conflito que arraste os Estados Unidos para outra guerra no Oriente Médio".
Analistas acreditam que o Irã também reluta em retomar um conflito em grande escala. Em rodadas anteriores de hostilidades, o país do Golfo sofreu perdas significativas tanto em suas capacidades militares quanto em sua infraestrutura civil. Ele também continua enfrentando um bloqueio marítimo dos EUA, o que coloca sua economia sob imensa pressão.
"Neste momento, o Irã tem pouco interesse em um conflito em grande escala devido às pressões econômicas que enfrenta e à incerteza que essa guerra criaria para sua posição regional. Sua estratégia parece favorecer uma escalada controlada em vez de uma guerra aberta", disse Awad.
ACORDO DE PAZ AINDA INCERTO
Apesar da escalada, Trump disse que um acordo está próximo. A mídia americana, citando um oficial dos EUA, noticiou na quarta-feira que "os novos ataques têm o objetivo de servir como um aviso ao Irã e que os EUA acreditam que eles não prejudicarão as negociações para o fim da guerra".
No entanto, pouco progresso parece ter sido feito na mesa de negociações, com muitas questões em impasse, particularmente as relacionadas ao Estreito de Ormuz e ao programa nuclear iraniano.
A incerteza persiste em relação ao Estreito. O principal comando militar do Irã, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, anunciou na manhã de quinta-feira que o Estreito de Ormuz foi fechado para todas as embarcações. Mas o Comando Central dos EUA disse que navios comerciais continuam transitando pela hidrovia.

Foto tirada com celular mostra navios mercantes parados nas águas do Estreito de Ormuz, perto de Khasab, uma pequena cidade no norte de Omã, em 29 de maio de 2026. (Xinhua/Wen Xinnian)
Quanto ao programa nuclear, Ebrahim Azizi, chefe da comissão de segurança nacional e política externa do parlamento iraniano, deixou claro no final de maio que "Não temos planos de levar urânio altamente enriquecido para fora do país. Não temos intenção de transferir nosso urânio enriquecido para terceiros países, intermediários ou qualquer outro lugar".
Analistas dizem que as negociações continuam complicadas, caracterizadas por uma forte falta de confiança, com ambos os lados céticos quanto às intenções um do outro. Como resultado, é provável que Washington e Teerã continuem equilibrando pressão e dissuasão com esforços para evitar uma ruptura completa das relações.
"A questão mais profunda é que ambos os países têm visões conflitantes para o futuro do Oriente Médio. Os Estados Unidos buscam preservar uma ordem regional construída em torno de suas alianças, enquanto o Irã busca reconhecimento como uma grande potência regional com legítimos interesses de segurança", disse à Xinhua, Abdel Majid Suwailem, analista político palestino.
"Até que essa contradição seja resolvida, os acordos técnicos por si só terão impacto limitado", disse Suwailem.
Outro fator que pode potencialmente interromper o processo de negociação é o conflito entre Israel e Líbano, como demonstrado no último fim de semana.
"A frente Israel-Líbano está intimamente ligada ao equilíbrio de poder regional mais amplo e, portanto, tem um impacto direto nas relações EUA-Irã. Qualquer escalada significativa pode aumentar as tensões regionais e dificultar o engajamento diplomático", disse Awad.


