Entrevista: China tem sido um dos principais parceiros de desenvolvimento de Cabo Verde, diz presidente cabo-verdiano

31 de maio de 20264 min de leitura
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Praia, 30 mai (Xinhua) -- O presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, disse que a China tem sido um dos principais parceiros de desenvolvimento de Cabo Verde, com a cooperação bilateral continuando a se expandir e a dar um contributo de valor para o crescimento econômico, o desenvolvimento social e o fortalecimento da capacidade institucional do país.

Em recente entrevista exclusiva à Xinhua na Praia, capital de Cabo Verde, Neves disse que, nos últimos 50 anos desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, a China tem sido um dos principais parceiros de desenvolvimento de Cabo Verde e tem contribuído em áreas muito sensíveis para o desenvolvimento do país.

Olhando para trás sobre o desenvolvimento dos laços bilaterais, Neves afirmou que a China "sempre esteve presente" nos momentos cruciais do desenvolvimento de Cabo Verde. A cooperação com a China teve um impacto positivo em áreas como educação e formação, saúde, agricultura, desenvolvimento dos recursos hídricos e construção de infraestruturas, disse ele.

Centenas de funcionários e profissionais cabo-verdianos receberam formação na China, enquanto médicos e especialistas técnicos chineses trabalham há muito tempo em Cabo Verde no âmbito de programas de cooperação, observou ele.

Entre os muitos projetos de infraestrutura construídos com assistência chinesa em Cabo Verde, Neves destacou a Barragem do Poilão, assinalando que se trata de um projeto de referência para o desenvolvimento da agricultura, da pecuária e da indústria agroalimentar.

"Pela primeira vez mostramos que é possível mobilizar águas superficiais aqui em Cabo Verde", expressou, acrescentando que, desde então, o país construiu várias outras barragens.

Em 2024, as relações entre a China e Cabo Verde foram elevadas a uma parceria estratégica. Ao falar sobre a cooperação futura, Neves ressaltou que as duas partes devem continuar a expandir a cooperação para novas áreas.

A economia azul é o futuro de Cabo Verde, explicou ele, observando que os dois países poderiam reforçar a cooperação nos setores de transportes, pescas, dessalinização, indústrias farmacêuticas e alimentares.

Ele também enfatizou que Cabo Verde espera aprofundar a cooperação prática com a China em áreas como transição digital, turismo, agricultura e pecuária, e energias renováveis, especialmente energia eólica e solar.

Ao falar sobre o Ano de Intercâmbios Interpessoais China-África 2026, Neves observou que os intercâmbios com a China têm sido muito úteis.

A China é um país com uma longa história e uma rica cultura, além de ser um país de grande diversidade, disse ele. A riqueza cultural da China e seu patrimônio milenar, tanto material quanto imaterial, têm ajudado grandemente ao enriquecimento cultural da humanidade, acrescentou.

Neves indicou que muitos cabo-verdianos que estudaram ou visitaram a China ficaram profundamente impressionados com as práticas chinesas em matéria de inovação, planejamento urbano, desenvolvimento regional, conservação da natureza e ensino superior.

Segundo ele, esses intercâmbios podem ajudar Cabo Verde a desenvolver o turismo, a cultura, a educação e as indústrias criativas, ao mesmo tempo que aproximam os povos dos dois países.

Desde 1º de maio, a China implementou integralmente uma política de tarifa zero para 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas. Neves apontou que, num contexto de crescentes restrições ao comércio internacional, uma maior abertura da China para a África é extremamente positiva para o crescimento econômico do continente.

No que diz respeito à governança global, Neves destacou que "não se pode esperar que se governe o mundo a uma só voz. É preciso ouvir todas as vozes".

Ele manifestou que a Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global, a Iniciativa de Civilização Global e a Iniciativa de Governança Global propostas pela China contribuem sempre para haver o diálogo e negociações e busca de soluções para um mundo mais justo e mais equilibrado, e são muito importantes para uma melhor governança global.

Sobre o papel que os países do Sul Global podem desempenhar na ordem internacional e na governança global, Neves sugeriu que os países africanos devem manter uma "neutralidade ativa" e não devem se envolver em conflitos e guerras.

Ele destacou que é fundamental defender o multilateralismo e promover o respeito pelo direito internacional, bem como respeitar a soberania nacional e a integridade territorial, e resolver os conflitos por meio do diálogo e da diplomacia.

"Temos de dar lugar à diplomacia em vez da guerra", disse ele. 

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