Destaque: Uma ponte feita com pincel e tinta -- Artista russa fortalece laços entre Rússia e China por meio da educação artística

22 de maio de 20266 min de leitura
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Destaque: Uma ponte feita com pincel e tinta -- Artista russa fortalece laços entre Rússia e China por meio da educação artística

Visitantes observam caligrafia chinesa no Centro Cultural da China em Moscou, Rússia, em 25 de janeiro de 2025. (Xinhua/Cao Yang)

"Estudo pintura chinesa há 20 anos e a ensino há 12", disse a artista russa Anna Donchenko. "A concepção artística transmitida pela pintura chinesa ressoa com pessoas de todas as origens culturais". Em meio aos profundos intercâmbios interpessoais e culturais dos Anos de Educação China-Rússia, Donchenko espera que mais pessoas encontrem a pura alegria que se esconde nas artes tradicionais chinesas.

Por Geng Huihuang, He Yiran e Zhang Chaoqun

Moscou, 20 mai (Xinhua) -- Ao cair da noite, um brilho suave e quente permeava delicadamente um estúdio de pintura no Centro Cultural da China, em Moscou. Segurando um pincel chinês mergulhado em tinta, a artista russa Anna Donchenko ajustava sutilmente as gradações tonais antes de deslizar o pincel pelo papel.

Com pinceladas que variavam de toques delicados a traços ousados, paisagens distantes gradualmente ganhavam forma, dando vida a montanhas e rios no tradicional papel Xuan da China.

"Espero continuar pintando pelo resto da minha vida e inspirar mais pessoas a se interessarem pela China", disse Donchenko. "Isso seria o mais significativo para mim".

Para ela, a pintura chinesa é muito mais do que uma arte, é um vínculo emocional e espiritual eterno com a China.

Donchenko começou a aprender a pintar ainda criança e foi inicialmente treinada em arte realista. Durante o ensino fundamental, uma visita ao Museu Estatal de Arte Oriental em Moscou abriu as portas para o universo da pintura chinesa. "Fiquei imediatamente cativada", disse ela.

Na adolescência, a escassez de materiais para pintura chinesa na Rússia só reforçou sua determinação. "Eu ficava parada repetidamente diante das vitrines dos museus, só para estudar as pinturas de perto", contou ela. "Na época, exposições e recursos de aprendizado eram muito escassos".

Sua primeira viagem à China, em 2007, foi um ponto de virada em sua vida. Assim que pisou em solo chinês, comprou livros de caligrafia e pintura, pincéis e pigmentos minerais, encheu a mala com esses itens e, mais tarde, levou tudo para a Rússia.

Em 2014, ela se matriculou na Academia de Arte da China, em Hangzhou, para se dedicar a um treinamento acadêmico sistemático em pintura chinesa. Durante sua estadia, viajou extensivamente pela China, imergindo nos costumes folclóricos locais, nas paisagens naturais e na cultura tradicional consagrada pelo tempo. Com o tempo, ela adquiriu uma compreensão mais profunda da sabedoria filosófica e da essência humanista inerentes às belas artes tradicionais chinesas.

"O que mais me admira na pintura chinesa é o foco no sentimento, no charme rítmico e na sutil ressonância espiritual entre a humanidade e a natureza", observou ela, acrescentando que a pintura chinesa com tinta prioriza a imaginação criativa, a estética do espaço em branco e a expressão sincera dos sentimentos íntimos dos artistas, em vez de buscar rigidamente a semelhança com a vida.

Agora conhecida pelo público por seu nome chinês, Dong Qingguo, Donchenko trabalha como pesquisadora no Centro de Estudos da Cultura Chinesa, vinculado ao Instituto da China e da Ásia Contemporânea da Academia Russa de Ciências.

"Dong significa inverno, uma lembrança dos longos e frios invernos da minha terra natal, a Rússia. Qing representa a juventude e a vitalidade, enquanto Guo carrega minhas sinceras bênçãos para minha pátria", explicou com um sorriso.

Em seu ponto de vista, a prática da pintura com tinta também remodelou sua percepção de si mesma e do mundo. "A filosofia da harmonia entre o homem e a natureza, incorporada na pintura chinesa, não é apenas uma técnica de criação artística, mas também uma forma de perceber e abraçar a vida", disse Donchenko.

"Estudo pintura chinesa há 20 anos e a ensino há 12", disse ela. "A concepção artística transmitida pela pintura chinesa ressoa com pessoas de todas as origens culturais".

Em suas criações artísticas, ela retrata os castelos de pedra branca, as casas de madeira e as cúpulas das igrejas russas com formato de cebola por meio de técnicas fluidas de pintura a tinta chinesa, integrando perfeitamente o charme estético oriental com a paisagem bucólica russa característica.

Ao longo dos anos, ela também observou um crescente entusiasmo entre os russos pela pintura a tinta chinesa.

O Centro Cultural da China oferece aulas de pintura chinesa três noites por semana. Nas aulas, os estudantes aprendem a desenhar flores de ameixeira, pintar paisagens naturais e criar pinturas de caquizeiros, que simbolizam boa sorte.

Pessoas participam de uma aula de pintura de máscaras faciais da Ópera de Beijing na celebração do Ano Novo Lunar Chinês em Moscou, Rússia, em 17 de fevereiro de 2026. (Foto de Alexander Zemlianichenko Jr/Xinhua)

Sob a orientação paciente de Donchenko, Anastasia Smirnova, uma de suas estudantes retratou dois ouriços carregando maçãs nas costas com apenas algumas pinceladas vibrantes. "A pintura chinesa transmite emoções de uma forma muito intuitiva", disse Smirnova. "Aprender essa arte me ofereceu uma perspectiva totalmente nova para observar o mundo".

Além do ensino em sala de aula, Donchenko não poupou esforços para popularizar a pintura chinesa na Rússia, realizando exposições em museus, bibliotecas públicas e comunidades locais. Nas últimas duas décadas, ela participou ou foi curadora de mais de 30 exposições de arte na China e na Rússia.

Em abril deste ano, ela organizou uma exposição de pintura chinesa com demonstrações práticas na Biblioteca nº 69 de Moscou, atraindo centenas de visitantes já no dia da inauguração.

Yulia Zharkova, diretora da Biblioteca nº 69 de Moscou, disse que essas pinturas proporcionam paz interior e tranquilidade à contemplação do público.

"Diante dessas obras de arte, as pessoas sentem todas as preocupações do mundo se dissiparem", disse ela. "É o charme artístico único e a profunda concepção artística da pintura chinesa. Estamos profundamente honrados que a Sra. Donchenko escolheu nossa biblioteca para sediar a exposição, que revitalizou muito nosso espaço cultural".

Tendo como pano de fundo os intensos intercâmbios interpessoais e culturais durante os Anos de Educação China-Rússia, Donchenko espera que mais pessoas encontrem a pura alegria que se esconde nas artes tradicionais chinesas.

"Ensinar arte é muito mais do que transmitir habilidades profissionais", disse Donchenko. "É sobre transmitir a paixão que você valoriza. Quero que mais pessoas possam abraçar a alegria e perceber a beleza através do aprendizado da pintura chinesa, assim como eu fiz".

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