Brasil responde aos EUA que está combatendo o crime organizado e que a soberania nacional é "inegociável"

30 de maio de 20263 min de leitura
Compartilhe

Rio de Janeiro, 29 mai (Xinhua) -- O governo brasileiro declarou nesta sexta-feira, em comunicado oficial, que está combatendo o crime organizado e se mostra aberto à cooperação internacional, mas que não aceitará medidas unilaterais e enfatizou que a soberania nacional é "inegociável".

"O Brasil é uma nação soberana que trava uma luta permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios onde vivem milhões de famílias", inicia o comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto.

"Confrontar firmemente essas organizações criminosas é, e continuará sendo, uma prioridade do Estado brasileiro", acrescenta.

Nesta quinta-feira, o governo dos Estados Unidos designou oficialmente esses grupos criminosos como "organizações terroristas estrangeiras", o que, segundo especialistas, pode levar a intervenções que afetam os interesses brasileiros em diversas áreas.

Segundo o governo brasileiro, o terror infligido por essas organizações às comunidades é motivado por atividades criminosas, particularmente o tráfico de drogas e armas, e não deve ser confundido com as ações de terrorismo internacional, motivadas por ideologia, política e religião.

"A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a interferência de autoridades estrangeiras nos assuntos brasileiros", diz o comunicado.

"É deplorável que, mais uma vez, membros da família Bolsonaro estejam viajando aos Estados Unidos para defender a intervenção estrangeira no Brasil, como fizeram com o 'tarifaço' (o aumento maciço das tarifas alfandegárias), que causou tantos danos ao nosso país", acrescenta o comunicado.

O texto também destaca a aprovação de uma lei de combate a facções e milícias, com penas de até 80 anos de prisão, a mais longa de toda a legislação brasileira. O governo brasileiro lidera o programa "Brasil Contra o Crime Organizado", que combate facções e milícias criminosas desde suas bases até os altos escalões. O crime organizado não conhece fronteiras e combatê-lo exige ação conjunta. Por essa razão, o país construiu alianças com diversos países, incluindo os Estados Unidos, ao longo de décadas.

"Em 16 de abril deste ano, o Brasil apresentou ao Departamento de Estado dos EUA uma proposta focada em inteligência e cooperação internacional, incluindo controles ampliados sobre lavagem de dinheiro realizada no exterior e tráfico de armas para o Brasil", afirmou o governo.

Segundo o governo, qualquer colaboração internacional no combate a essas facções é bem-vinda, e ele permanece disposto a desenvolver soluções conjuntas que beneficiem todos os países envolvidos.

"Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do exterior como pretexto para atacar nossa soberania e nossa economia", enfatizou o governo.

"Medidas unilaterais e não negociadas podem enfraquecer o combate ao crime e levar a ações que colocam em risco a vida de pessoas que nada têm a ver com o crime", observou o comunicado.

De acordo com o comunicado, essas medidas podem reduzir a capacidade das forças policiais de compartilhar informações. Eles podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o programa PIX, que são inconvenientes para interesses estrangeiros.

"Em resumo, isso representa um potencial retrocesso na luta contra o crime, um risco para a vida das pessoas e prejuízo econômico para o país", afirmou o comunicado.

"A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Os brasileiros, por meio de suas instituições, leis e forças de segurança, são os que definem como o crime é classificado e combatido no Brasil", concluiu o comunicado.

Comentários