Brasil busca transformar minerais estratégicos em inovação e valor agregado

15 de maio de 20263 min de leitura
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Rio de Janeiro, 14 mai (Xinhua) -- O governo brasileiro criou um grupo de trabalho interministerial para ampliar a capacidade do país de transformar minerais estratégicos em inovação tecnológica e produtos de maior valor agregado, em um esforço para fortalecer a industrialização e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas, informou nesta quinta-feira a Secretaria de Comunicação Social.

A iniciativa foi anunciada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e reúne representantes de diversas áreas do governo federal, bem como instituições científicas e do setor produtivo.

O objetivo é desenvolver políticas que permitam que minerais considerados críticos para a transição energética e a indústria de tecnologia, como lítio, terras raras, níquel, grafite e nióbio, sejam processados e utilizados em cadeias industriais dentro do país.

O Brasil possui algumas das maiores reservas mundiais de minerais estratégicos, essenciais para setores como baterias elétricas, semicondutores, energias renováveis, aeroespacial e defesa.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que o país precisa ir além da extração mineral e consolidar suas próprias capacidades tecnológicas.

Segundo o governo brasileiro, o grupo trabalhará em propostas para integrar universidades, centros de pesquisa e empresas privadas com o objetivo de estimular a inovação, a pesquisa aplicada e o desenvolvimento industrial associados a minerais críticos.

A iniciativa busca também ampliar a participação do Brasil nas cadeias de suprimentos globais ligadas à transição energética, especialmente considerando o aumento da demanda internacional por minerais utilizados em veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas e armazenamento de energia.

O debate sobre minerais estratégicos ganhou força no Brasil nos últimos meses, coincidindo com a discussão no Congresso sobre a criação de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

A política proposta inclui incentivos fiscais, linhas de financiamento especiais e mecanismos para acelerar os investimentos na exploração, processamento e transformação industrial de minerais considerados prioritários para o país.

O deputado federal Arnaldo Jardim, relator da proposta na Câmara dos Deputados, afirmou recentemente que o Brasil deve alavancar suas reservas minerais para desenvolver uma cadeia industrial nacional e gerar maior valor agregado.

O Brasil possui a segunda maior reserva conhecida de elementos de terras raras do mundo, depois da China, além de depósitos significativos de lítio, grafite e nióbio, embora grande parte do território nacional ainda não tenha sido totalmente mapeada do ponto de vista geológico.

O governo brasileiro também pretende vincular a estratégia mineral à política industrial "Nova Indústria Brasil", que busca promover a reindustrialização do país com foco em inovação, transição energética e soberania tecnológica. 

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