Estudantes tanzanianos aprendem a fazer pães cozidos no vapor em Dar es Salaam, Tanzânia, em 28 de janeiro de 2026. (Xinhua/Emmanuel Herman)
Ruth Washima Seni, uma jovem estudante tanzaniana, é uma das 20 estudantes da turma mais recente de um programa culinário exclusivo do Instituto de Tecnologia e Gestão de Kilimanjaro. Lançado em janeiro de 2026, o curso é uma colaboração entre o instituto e uma empresa chinesa dedicada ao intercâmbio cultural.
Por Hua Hongli, Lin Guangyao e Lucas Liganga
Dar es Salaam, 31 jan (Xinhua) -- Em uma cozinha movimentada no centro de Dar es Salaam, o som rítmico das facas batendo nas tábuas de corte preenche o ar. Em meio ao vapor e ao chiado das woks, Ruth Washima Seni, uma jovem estudante tanzaniana de hotelaria, tenta uma proeza de precisão: fatiar uma batata em tiras finíssimas.
Esse é o corte "agulha de prata", um teste exigente de habilidade com a faca na culinária chinesa. Para Seni, representa mais do que apenas uma técnica culinária; é um vislumbre de um novo futuro.
"Não aprendi apenas a cozinhar comida chinesa. Aprendi técnicas, nutrição, disciplina e cultura", disse Seni, enxugando a testa após dominar o corte. "Agora posso preparar bolinhos, pães e carne refogada, e entendo por que a comida chinesa se concentra tanto na saúde e no equilíbrio".
Seni é uma das 20 estudantes da turma mais recente de um programa culinário único no Instituto de Tecnologia e Gestão do Kilimanjaro (KITM, na sigla em inglês). Lançado em janeiro de 2026, o curso é uma colaboração entre o instituto e a "The Best Company", uma empresa chinesa dedicada ao intercâmbio cultural.
ALÉM DA RECEITA
O programa vai além do ensino de receitas, ele imerge os estudantes na filosofia da gastronomia chinesa. Liderado pelo Chef Wang Bo, da província de Sichuan, o currículo abrange o calor picante dos pratos de Sichuan, a profundidade saborosa dos ensopados do nordeste e os sabores delicados e frescos da culinária cantonesa.
"A culinária chinesa é muito flexível", disse Wang. "Você pode combinar e substituir ingredientes. Mas para fazer isso bem, é necessário entender os princípios por trás da comida".
Para os estudantes, a curva de aprendizado envolve mais do que apenas o paladar. Inclui dominar o uso dos hashis e compreender as histórias culturais por trás de pratos como os bolinhos (jiaozi), que simbolizam riqueza e união.
"Percebi que os chineses não são todos iguais", observou Seni. "Cada região tem sua própria cultura e culinária".

Estudantes tanzanianos aprendem o corte "agulha de prata", um teste exigente de habilidade com facas na culinária chinesa, em Dar es Salaam, Tanzânia, em 28 de janeiro de 2026. (Xinhua/Emmanuel Herman)
COZINHAR PARA UMA CARREIRA
Embora o intercâmbio cultural seja vibrante, o principal motivador para esses jovens "sonhadores" é a oportunidade econômica.
Filbert Haule, professor de hotelaria no KITM, explicou que a decisão de introduzir a culinária chinesa foi estratégica. Com turistas e empresários chineses desempenhando um papel cada vez mais visível na economia da Tanzânia, a demanda por comida chinesa autêntica está aumentando.
Além disso, a Tanzânia está se preparando para um grande fluxo de visitantes internacionais, já que se prepara para co-sediar a Copa Africana de Nações (CAN) 2027.
"Queremos oferecer novos sabores aos visitantes", disse Haule. "Quando investidores e donos de restaurantes virem que esses estudantes conseguem cozinhar comida chinesa autêntica e deliciosa, ficarão impressionados. Isso cria mais oportunidades".
UMA PONTE DE SABORES
A estrutura do curso é rigorosa. As manhãs são dedicadas a assistir a videoaulas de chefs profissionais na China, seguidas de sessões práticas à tarde nas cozinhas do KITM, onde ingredientes locais, como carne bovina, cordeiro e frutos do mar da Tanzânia, são transformados em clássicos chineses.
Para o Chef Wang, a comida é a melhor diplomata. "A comida é uma ponte que conecta as pessoas", disse ele. "Quando os estudantes entendem a cultura, cozinham com sentimento e o prato atinge um nível superior".
Os graduados do programa são recomendados a restaurantes e hotéis chineses em toda a região, o que oferece a eles um caminho rápido para o emprego.
Para Ruth Seni, o wok abriu um mundo de possibilidades. Agora, ela pratica suas habilidades em casa, confiante de que possui uma vantagem competitiva no mercado de trabalho.
"Essas habilidades te diferenciam", disse ela, olhando para seu prato finalizado de carne refogada. "É cultura, saúde, negócios e conexão. Quem sabe um dia eu até abra meu próprio restaurante".


