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(Multimídia) Música brasileira encontra tradição musical do sul da China

20 de abril de 20264 min de leitura
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(Multimídia) Música brasileira encontra tradição musical do sul da China

   Por Zhang Zhuowen, correspondente da Xinhua

   Nanning, 20 abr (Xinhua) -- Uma canção folclórica chinesa ecoou pelo palco e o ritmo se espalhou pelo espaço. Ao som da melodia, os músicos brasileiros entraram na dança e jovens chineses se aproximaram, até que todos se reuniram em roda e seguiram no mesmo compasso.

   A cena aconteceu na cidade de Nanning, na Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China, onde a Orquestra Forte de Copacabana, do Rio de Janeiro, Brasil, participou recentemente de uma programação de intercâmbio cultural durante o Festival Sanyuesan, celebração tradicional de caráter étnico e regional, marcada por cantos e encontros comunitários.

   No âmbito do Ano Cultural China-Brasil 2026, e a convite da Associação de Amizade do Povo Chinês com o Exterior, a visita marcou um forte intercâmbio cultural entre os dois países.

   No repertório, o grupo alternou obras brasileiras e canções chinesas já conhecidas do público. Segundo o maestro Luiz Potter, a seleção teve também um sentido simbólico: "Tico-Tico no Fubá" representa o espírito festivo brasileiro, enquanto "Flor de Lis" estabelece uma ligação com "Mo Li Hua" (Jasmim), criando um diálogo entre referências florais das duas culturas.

Membros da Orquestra Forte de Copacabana, do Brasil, dançam ao som da música durante uma apresentação na cidade de Nanning, na Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China, em 17 de abril de 2026. (Xinhua/Wang Churan)
Membros da Orquestra Forte de Copacabana, do Brasil, dançam ao som da música durante uma apresentação na cidade de Nanning, na Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China, em 17 de abril de 2026. (Xinhua/Wang Churan)

   Para a cantora Michelly Gondim, interpretar uma canção em chinês foi um desafio realizado em pouco tempo. "Foi uma experiência incrível. Compartilhar esses elementos culturais com artistas chineses é algo muito especial", disse.

   Durante a programação, o grupo se apresentou ao lado de crianças vestidas em trajes tradicionais das etnias locais. O som da orquestra se entrelaçou às vozes das crianças, que acompanharam a música em coro, dando forma a uma harmonia coletiva.

   "Eu fiquei encantada vendo as crianças cantando, participando e nos acompanhando", afirmou a cantora, destacando a acolhida do público e a proximidade criada por meio da música.

   A violinista Bruna Zurmele relembrou a convivência com as crianças durante os ensaios e a facilidade com que assimilaram os ritmos brasileiros. Ela contou ainda de um menino que chegou a tocar pandeiro com a orquestra, acompanhando com precisão compassos de samba e baião, um momento que, segundo ela, ficou especialmente na memória.

Membros da Orquestra Forte de Copacabana, do Brasil, posam para uma foto com crianças vestidas com trajes étnicos após uma apresentação na cidade de Nanning, na Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China, em 17 de abril de 2026. (Xinhua/Zhao Huan)
Membros da Orquestra Forte de Copacabana, do Brasil, posam para uma foto com crianças vestidas com trajes étnicos após uma apresentação na cidade de Nanning, na Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China, em 17 de abril de 2026. (Xinhua/Zhao Huan)

   No clima festivo do Sanyuesan, a música rapidamente preencheu o ambiente. Jovens e artistas de diferentes países dividiram a cena ao interpretar canções tradicionais de Guangxi, em sintonia constante.

   O verso da canção tradicional local "de um lado se canta, do outro se responde" ajudou a traduzir simbolicamente essa dinâmica de diálogo. Esse vai e vem melódico não foi apenas um recurso musical, mas também um gesto de aproximação, em que culturas distintas se escutaram, se reconheceram e se aproximaram por meio da voz.

   Bruna contou que Guangxi a impressionou pela beleza da cidade. Segundo a violinista, essa familiaridade contribuiu para uma sensação imediata de proximidade. Ela também destacou a recepção do público, ressaltando o comportamento caloroso e comunicativo dos moradores, que demonstram interesse sempre que veem o grupo tocar, cantar ou dançar. "Isso fez com que a gente se sentisse muito próxima daqui", afirmou.

   Nesse contexto, a música passou a funcionar como uma linguagem comum entre brasileiros e chineses, permitindo experiências compartilhadas de escuta, participação e reconhecimento mútuo.

   A violoncelista Thiellen Sena afirmou que o intercâmbio ampliou sua percepção sobre a China e despertou o interesse em conhecer mais profundamente a cultura local. "Eu estou descobrindo tudo agora, aprendendo tudo agora, e esse processo está sendo muito interessante", disse.