Por Zhang Zhuowen, correspondente da Xinhua
Nanning, 20 abr (Xinhua) -- Uma canção folclórica chinesa ecoou pelo palco e o ritmo se espalhou pelo espaço. Ao som da melodia, os músicos brasileiros entraram na dança e jovens chineses se aproximaram, até que todos se reuniram em roda e seguiram no mesmo compasso.
A cena aconteceu na cidade de Nanning, na Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China, onde a Orquestra Forte de Copacabana, do Rio de Janeiro, Brasil, participou recentemente de uma programação de intercâmbio cultural durante o Festival Sanyuesan, celebração tradicional de caráter étnico e regional, marcada por cantos e encontros comunitários.
No âmbito do Ano Cultural China-Brasil 2026, e a convite da Associação de Amizade do Povo Chinês com o Exterior, a visita marcou um forte intercâmbio cultural entre os dois países.
No repertório, o grupo alternou obras brasileiras e canções chinesas já conhecidas do público. Segundo o maestro Luiz Potter, a seleção teve também um sentido simbólico: "Tico-Tico no Fubá" representa o espírito festivo brasileiro, enquanto "Flor de Lis" estabelece uma ligação com "Mo Li Hua" (Jasmim), criando um diálogo entre referências florais das duas culturas.

Para a cantora Michelly Gondim, interpretar uma canção em chinês foi um desafio realizado em pouco tempo. "Foi uma experiência incrível. Compartilhar esses elementos culturais com artistas chineses é algo muito especial", disse.
Durante a programação, o grupo se apresentou ao lado de crianças vestidas em trajes tradicionais das etnias locais. O som da orquestra se entrelaçou às vozes das crianças, que acompanharam a música em coro, dando forma a uma harmonia coletiva.
"Eu fiquei encantada vendo as crianças cantando, participando e nos acompanhando", afirmou a cantora, destacando a acolhida do público e a proximidade criada por meio da música.
A violinista Bruna Zurmele relembrou a convivência com as crianças durante os ensaios e a facilidade com que assimilaram os ritmos brasileiros. Ela contou ainda de um menino que chegou a tocar pandeiro com a orquestra, acompanhando com precisão compassos de samba e baião, um momento que, segundo ela, ficou especialmente na memória.

No clima festivo do Sanyuesan, a música rapidamente preencheu o ambiente. Jovens e artistas de diferentes países dividiram a cena ao interpretar canções tradicionais de Guangxi, em sintonia constante.
O verso da canção tradicional local "de um lado se canta, do outro se responde" ajudou a traduzir simbolicamente essa dinâmica de diálogo. Esse vai e vem melódico não foi apenas um recurso musical, mas também um gesto de aproximação, em que culturas distintas se escutaram, se reconheceram e se aproximaram por meio da voz.
Bruna contou que Guangxi a impressionou pela beleza da cidade. Segundo a violinista, essa familiaridade contribuiu para uma sensação imediata de proximidade. Ela também destacou a recepção do público, ressaltando o comportamento caloroso e comunicativo dos moradores, que demonstram interesse sempre que veem o grupo tocar, cantar ou dançar. "Isso fez com que a gente se sentisse muito próxima daqui", afirmou.
Nesse contexto, a música passou a funcionar como uma linguagem comum entre brasileiros e chineses, permitindo experiências compartilhadas de escuta, participação e reconhecimento mútuo.
A violoncelista Thiellen Sena afirmou que o intercâmbio ampliou sua percepção sobre a China e despertou o interesse em conhecer mais profundamente a cultura local. "Eu estou descobrindo tudo agora, aprendendo tudo agora, e esse processo está sendo muito interessante", disse.


