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(Multimídia) Cabo Verde: projeto de autonomização feminina transforma algas em adubo biológico para a agricultura

13 de fevereiro de 20262 min de leitura
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(Multimídia) Cabo Verde: projeto de autonomização feminina transforma algas em adubo biológico para a agricultura

   Praia, 12 fev (Xinhua) -- Sete mulheres da comunidade de Moia Moia, no município de São Domingos, na ilha de Santiago, encontraram uma nova fonte de rendimento ao recolher algas que se acumulam na costa e transformá-las em fertilizante orgânico para uso agrícola.

   Segundo especialistas, a acumulação e a decomposição dessas algas podem afetar ecossistemas marinhos, incluindo áreas recifais, com impactos ambientais e socioeconômicos. Uma das respostas em estudo tem sido a valorização desse material, convertendo-o em insumo agrícola.

   Foi nesse contexto que surgiu um projeto de agroecologia liderado pela Associação Cabo-Verdiana de Ecoturismo (Eco-CV), em parceria com o Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA) e com a Universidade de York, no Reino Unido, responsável por análises laboratoriais com vista à certificação do produto.

   Em declarações à Xinhua, Edina Almeida, agricultora participante, afirmou que a formação recebida no início da iniciativa foi determinante para os resultados obtidos. De acordo com ela, o processo começa com a recolha e a preparação das algas, segue com a produção do adubo - em formato seco ou líquido - e culmina na aplicação em parcelas experimentais cultivadas pelas sete mulheres.

   As primeiras colheitas confirmaram a viabilidade da iniciativa, com produção de tomate, milho e melancia, relatou Almeida, acrescentando que o projeto também reforça a autonomia econômica das mulheres na comunidade. Informações divulgadas pela imprensa lusófona indicam que, no espaço de um ano, as participantes já colheram mais de 70 quilos de tomate, além de resultados considerados positivos no milho.

   A participante destacou ainda que o grupo formalizou uma microiniciativa local denominada Algas Mulheres Mar e Agricultura Resiliência (AMMAR), com o objetivo de estruturar a atividade e ampliar a escala de produção.

   Por sua vez, a coordenadora comunitária do projeto, Artemiza Gonçalves, disse à Xinhua que o fertilizante e os produtos agrícolas estão sendo submetidos a testes de qualidade e segurança alimentar, etapa necessária para avançar para a certificação, aumentar a produção e, a médio prazo, explorar oportunidades de comercialização em mercados externos.

   De acordo com estimativas, foram contabilizadas mais de 150 toneladas de algas encalhadas em Moia Moia no último ano, um fenômeno associado por alguns especialistas a desequilíbrios ambientais mais amplos, incluindo efeitos das alterações climáticas.