Beijing, 28 jan (Xinhua) -- Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse nesta terça-feira que o lado japonês não está qualificado de forma nenhuma para interferir nos assuntos da região de Taiwan da China, seja do ponto de vista histórico ou jurídico.
O porta-voz Guo Jiakun fez as declarações em resposta a comentários atribuídos à primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que teria dito nesta segunda-feira que qualquer crise em Taiwan poderia levar o Japão e os Estados Unidos a adotarem ações conjuntas para resgatar seus próprios cidadãos, acrescentando que, em tal situação, o Japão não poderia abandonar seu aliado de longa data, os Estados Unidos.
"As declarações do lado japonês revelam mais uma vez as ambições das forças de direita japonesas de provocar antagonismo, causar problemas e aproveitar a oportunidade para continuar remilitarizando o Japão e desafiar a ordem internacional do pós-guerra", disse Guo, instando a comunidade internacional a permanecer em alerta máximo e rejeitar firmemente isso.
Guo lembrou que a Declaração Conjunta Sino-Japonesa de 1972 estabelece que "o Governo do Japão reconhece o Governo da República Popular da China como o único governo legal da China. O Governo da República Popular da China reafirma que Taiwan é parte inalienável do território da República Popular da China. O Governo do Japão compreende plenamente e respeita essa posição do Governo da República Popular da China e mantém firmemente sua posição nos termos do Artigo 8 da Proclamação de Potsdam".
O Tratado de Paz e Amizade de 1978 entre China e Japão, ratificado pelas legislaturas dos dois países, afirmou que os princípios estabelecidos na Declaração Conjunta de 1972 devem ser rigorosamente observados, acrescentou.
Uma série de instrumentos com efeito jurídico no âmbito do direito internacional, incluindo a Declaração do Cairo, a Proclamação de Potsdam e o Instrumento de Rendição do Japão, determinam que todos os territórios que o Japão havia roubado da China, como Taiwan, devem ser devolvidos à China, e que o Japão deve ser "completamente desarmado" e não manter indústrias que "lhe permitam rearmar-se para a guerra", afirmou Guo, acrescentando que a Constituição do Japão também impõe restrições rigorosas às forças militares do país, ao direito de beligerância e ao direito à guerra.
"Esses são compromissos políticos que o Japão deve honrar estritamente e obrigações legais que não podem negar", disse Guo.
"Embora o Japão alegue agir dentro do âmbito da lei, tem persistido em interferências grosseiras nos assuntos internos da China e até mesmo ameaçado o uso da força contra a China, o que é contraditório", observou.
O Japão cometeu inúmeros crimes durante seu domínio colonial sobre Taiwan, que durou mais de 50 anos, e carrega sérias responsabilidades históricas para com o povo chinês.
"Seja do ponto de vista histórico ou jurídico, o lado japonês não está em posição de interferir nos assuntos da região de Taiwan da China", reiterou Guo.
"Mais uma vez instamos o lado japonês a cumprir o espírito dos quatro documentos políticos entre China e Japão e os próprios compromissos políticos do Japão com a China, fazer uma reflexão, corrigir seus erros e parar com suas manipulações e movimentos imprudentes na questão de Taiwan", disse ele.

