Hefei, 29 jan (Xinhua) -- Mais de 3 mil veículos de nova energia partiram no início de janeiro do porto de Jiangyin, na Província de Fujian, no leste da China, com destino ao Brasil. O transporte está a cargo do navio porta-contêineres "BYD Hefei", batizado em homenagem à fábrica da montadora localizada na cidade de Hefei.
Atualmente, Hefei, a capital da Província de Anhui, atrai diversos fabricantes automotivos, como Chery, NIO, Volkswagen, BYD e JAC, formando uma cadeia completa que abrange automóveis de passageiros, veículos comerciais e especializados.
No ano passado, Anhui liderou a produção nacional tanto de veículos convencionais quanto de veículos de nova energia.
"A América do Sul é, sem dúvida, um dos mercados mais importantes para nós", afirmou Zeng Lang, vice-diretor geral da Divisão de Negócios Internacionais da fabricante chinesa Anhui Jianghuai Automobile Group Co., Ltd. (JAC). Com sede em Hefei, a JAC iniciou sua expansão internacional em 1990, com a exportação de 60 caminhões leves para a Bolívia. Em 2025, sua subsidiária brasileira iniciou oficialmente as operações, consolidando a América do Sul como uma região-chave em seu portfólio.
"A expansão com múltiplos modelos e em diversas regiões demonstra plenamente o compromisso inabalável da empresa em fortalecer sua presença no mercado sul-americano", acrescentou Zeng.
A montadora realizou no Chile, no ano passado, um evento de lançamento de três novos veículos de nova energia sob o slogan "Ilumine seu 2025", e promoveu outro evento similar no Brasil para sua nova linha de caminhões leves e pesados.
"Nos últimos anos, os veículos de nova energia nos abriram maiores oportunidades de expansão no mercado latino-americano", destacou Zeng.
No Brasil, o complexo industrial da BYD em Camaçari, na Bahia, realizou em julho de 2025 uma cerimônia para celebrar a fabricação de sua primeira unidade. Em outubro do mesmo ano, o décimo quarto milionésimo veículo da BYD foi produzido naquela fábrica.
Segundo a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), desde o início de 2025 as vendas de veículos de nova energia de marcas chinesas no Brasil superaram 144 mil unidades, respondendo por mais de 58% do mercado. O bom desempenho do mercado passou a impulsionar novos investimentos em indústria verde.
Em maio passado, foi inaugurada em Buenos Aires, capital da Argentina, a primeira linha de ônibus 100% elétricos, composta por 12 unidades fabricadas pela empresa chinesa Yaxing, sediada em Yangzhou, leste da China, todas equipadas com sistemas de assistência ao condutor e design acessível.
Em Quito, Equador, 60 trólebus da chinesa Yutong Bus entraram em operação em março passado. Esta frota utiliza um sistema dual de alimentação elétrica (rede e bateria), contribuindo para a transição do transporte público da capital equatoriana para uma operação mais ecológica e inteligente.
O setor automotivo tem sido testemunha dos crescentes laços econômicos e comerciais entre a China e a América do Sul. Este desenvolvimento tem impulsionado conexões de transporte mais confortáveis e eficientes, além de criar novas oportunidades de emprego para as comunidades locais, entre outros benefícios.
Com a inauguração do porto de Chancay, localizado a cerca de 80 km ao norte de Lima, no Peru, a rota marítima Chancay-Shanghai já transportou mais de 11 mil veículos fabricados na China para o mercado latino-americano. De acordo com estatísticas da Alfândega de Shanghai, desde 18 de dezembro de 2024 até a mesma data de 2025, o valor total das mercadorias importadas e exportadas pela rota Chancay-Shanghai atingiu 5,57 bilhões de yuans (US$ 789 milhões), com um volume de carga de 205 mil toneladas.
De acordo com Bernardo Muñoz, conselheiro comercial do Consulado-Geral do Peru em Shanghai, tanto o porto da metrópole chinesa quanto o do país sul-americano estão se tornando centros de distribuição: o primeiro, para as exportações peruanas para a China e a Ásia; o segundo, para os produtos chineses com destino à América Latina.
Nos primeiros onze meses de 2025, o valor de frutas peruanas importadas pelo porto de Shanghai atingiu 2,58 bilhões de yuans, um aumento anual de 117,4%, o que representou mais de 70% do total das importações chinesas desses produtos no período.
Da mesma forma, uma série de projetos de infraestrutura e corredores comerciais atestam o aprofundamento da cooperação prática sino-sul-americana, gerando benefícios tangíveis para as populações locais. Entre os exemplos estão: a construção da rodovia de contorno de Ponta Grossa (Paraná, Brasil), realizada pela filial brasileira da PowerChina; os centros de serviços integrados e de remanufatura de peças estabelecidos pelo Grupo XCMG no Chile, Argentina e Peru; e o projeto fotovoltaico na Colômbia, investido pela subsidiária latino-americana da Corporação das Três Gargantas da China. O projeto, já conectado à rede com capacidade total, tem uma geração média anual de 110 milhões de kWh de eletricidade limpa, suficiente para suprir as necessidades de 45 mil residências.

