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Governo brasileiro descarta intervenção na Petrobras apesar da alta do preço internacional do petróleo

12 de março de 20263 min de leitura
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Rio de Janeiro, 11 mar (Xinhua) -- O governo brasileiro descartou nesta quarta-feira intervenção na Petrobras, estatal petrolífera, em vista da recente alta dos preços internacionais do petróleo, afirmando que a empresa possui governança própria e opera de acordo com as regras de mercado.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, indicou que existe um "mal-entendido" entre aqueles que acreditam que o governo pretende interferir nas decisões da petrolífera, que é uma empresa de capital aberto listada na Bolsa de Valores de Nova York.

Durante audiência perante a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, o ministro afirmou que o Poder Executivo analisou o impacto da alta do preço do petróleo bruto em reunião com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, mas descartou quaisquer medidas que envolvam a manipulação da política de preços da empresa.

"Seria irresponsável intervir em uma empresa que tem sua própria governança e regras", declarou Silveira, referindo-se à Petrobras, considerada uma das principais empresas de energia da América Latina.

As declarações surgem em meio à significativa volatilidade do mercado internacional de energia, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, que elevaram os preços do petróleo e pressionaram os preços dos combustíveis em diversos países.

Segundo o ministro, o governo está monitorando a situação global e discutindo medidas para mitigar os efeitos da alta dos preços do petróleo sobre a economia brasileira, mas enfatizou que qualquer decisão deve respeitar a estrutura institucional da Petrobras e seu status de empresa de capital misto.

A volatilidade do mercado de energia gerou preocupações sobre possíveis ajustes nos preços dos combustíveis no Brasil. Embora a Petrobras ainda não tenha anunciado aumentos recentes nos preços de suas refinarias, os preços em alguns postos de gasolina começaram a subir devido à influência dos preços internacionais e à participação de importadores privados no abastecimento de combustíveis.

De acordo com dados do setor, cerca de 25% do diesel consumido no Brasil é importado, tornando o mercado interno sensível às flutuações externas dos preços do petróleo e dos combustíveis refinados.

Enquanto isso, o governo brasileiro se prepara para a próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), agendada para 19 de março, onde devem ser discutidas diretrizes para projetos energéticos, incluindo o desenvolvimento de energia eólica offshore.

Por sua vez, a Petrobras indicou que busca reduzir o impacto da volatilidade do preço internacional do petróleo no mercado interno por meio de sua estratégia comercial e de refino, visando mitigar as flutuações externas sem comprometer a rentabilidade da empresa.

As declarações do ministro buscam tranquilizar os mercados financeiros e reforçar o sinal de que o governo brasileiro manterá o respeito à autonomia de gestão da petrolífera, mesmo em um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e alta dos preços da energia.