Nanning, 21 abr (Xinhua) -- "A música é o ponto de partida do intercâmbio", disse Márcia Melchior, diretora da Orquestra Forte de Copacabana do Brasil, destacando que a música é universal e consegue unir as pessoas mesmo falando idiomas diferentes.
Melchior, também presidente da Associação de Arte e Cultura RioMont, fez essas observações em uma entrevista recente à Xinhua.
No âmbito do Ano Cultural China-Brasil 2026, e a convite da Associação de Amizade do Povo Chinês com o Exterior, a Orquestra Forte de Copacabana realizou sua segunda viagem à China. Na cidade de Nanning, na Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China, onde concedeu entrevista, Melchior falou sobre sua experiência nesta viagem.
Melchior destacou que a impressão mais forte deixada pela viagem foi a receptividade do público local e a convivência na cidade, que, segundo ela, reforça a proximidade entre Brasil e China. "Essa sintonia entre as duas culturas, para nós, é união de culturas", disse.
Ela lembrou que o trabalho de aproximação cultural entre Brasil e China já vem sendo desenvolvido há alguns anos com apoio da empresa patrocinadora chinesa, a CNOOC Petroleum Brasil Ltda. Nesse contexto, a orquestra já participou de iniciativas ligadas ao Ano Cultural China-Brasil no país, incluindo a Festa da Primavera realizada em 24 de fevereiro no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com grande público e participação de artistas brasileiros e chineses.
Para Melchior, a música ocupa lugar central nesse intercâmbio justamente por atravessar fronteiras linguísticas. "No ano cultural nada melhor do que começar com música, porque a música é universal. Ela une as pessoas; não é preciso falar a mesma língua para sentir isso no coração", disse.
A passagem por uma universidade em Tianjin também abriu uma nova perspectiva de cooperação. Melchior contou que o reitor propôs ampliar o intercâmbio entre jovens músicos dos dois países, com possibilidade de bolsas de estudo. Segundo ela, a oportunidade de estudar música na China deixou os integrantes da orquestra entusiasmados e representou "um passo importantíssimo nesse intercâmbio".
Ao falar sobre o que espera que os jovens brasileiros observem na China, Melchior ressaltou a disciplina e a organização do trabalho artístico. Ela afirmou que a forma como os espetáculos são preparados impressiona pela rapidez e pela precisão: ensaio, passagem de som e apresentação acontecem em sequência, com muita eficiência.
Como presidente da Associação de Arte e Cultura RioMont, ela afirmou que seu objetivo principal é divulgar a cultura chinesa no Brasil e levar a música brasileira ao público chinês, expressando a esperança de dar continuidade a esse trabalho de intercâmbio cultural que já vem sendo desenvolvido há mais de três anos.

