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Entre tintas e palavras: Tradução de livros abre nova ponte de diálogo entre China e Brasil

13 de abril de 20263 min de leitura
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Beijing, 13 abr (Xinhua) -- "Ver essa obra publicada na China tem um significado muito especial. É mais do que a tradução de um livro, é a abertura de uma nova ponte de diálogo entre dois países de civilizações profundas e tradições culturais extraordinárias", afirmou Margareth Menezes, ministra da Cultura do Brasil, num discurso por vídeo durante a recente cerimônia de lançamento do livro "O Povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil", traduzido em língua chinesa.

No dia 9 deste mês, em Beijing, capital da China, o evento bem-sucedido foi orientado pelo Grupo de Comunicações Internacionais da China (CICG, em inglês) e pela Embaixada do Brasil na China, e organizado pela Editora Blossom e pelo Centro de Publicação e Cultura China-América Latina e Caribe do CICG, em colaboração com a Fundação Darcy Ribeiro e o Instituto Guimarães Rosa.

Ocorrido no contexto do Ano Cultural China-Brasil 2026, a cerimônia contou com a presença de cerca de 100 convidados, representantes de diversos setores.

Durante seu discurso, Xie Gang, vice-diretor do CICG, ressaltou que o ano de 2026 marca o Ano Cultural China-Brasil, tornando oportuno o lançamento da versão em língua chinesa desta obra.

Embora separados por vastos oceanos, os povos da China e do Brasil mantêm relações amistosas que remontam a longa história, disse Xie, acrescentando que, nos últimos anos, os laços bilaterais se aprofundaram continuamente com o fortalecimento da confiança política mútua, o aumento de resultados pragmáticos na cooperação e o estreitamento de intercâmbios interpessoais e culturais.

Segundo ele, em particular, a cooperação bilateral nos setores de cultura, de educação e de publicações editoriais tem construído alicerces sólidos para fortalecer o conhecimento e a afinidade entre as populações de ambos os países.

O livro de Darcy Ribeiro, um renomado pensador brasileiro, é um clássico que reúne, após 30 anos de dedicação, seu pensamento e suas conquistas acadêmicas. Sob uma perspectiva antropológica e sociológica, demonstra grande preocupação do autor com as realidades sociais do Brasil.

"O imenso valor da obra de Darcy Ribeiro, não apenas para nós brasileiros, mas para aqueles que conosco desejam desenvolver intercâmbios nas mais diversas dimensões", indicou Marcos Galvão, embaixador do Brasil na China, no seu discurso.

Nos dias de hoje, a obra continua com atualidade, possibilitando aos leitores de ambos os países um conhecimento de similaridades e diversidades em seus próprios trajetos de desenvolvimento.

Vale notar que a tradução de livros entre os dois países cresceu nos últimos anos, abrindo um amplo espaço para o diálogo intercivilizacional e promovendo o aprofundamento na ressonância espiritual.

Em 2019, o livro "Na Terra do Cervo Branco", de Chen Zhongshi, escritor contemporâneo chinês, foi publicado pela editora Estação Liberdade e chegou às livrarias do Brasil; sob o título Série Clássicos da Literatura Chinesa e Brasileira, a Universidade Estadual de Campinas, em parceria com o Instituto Confúcio, publicou entre 2022 e 2024 dois livros emblemáticos, "Flores Matinais Colhidas ao Entardecer (1926-27)", de Lu Xun, e "O Alienista (1882)", de Machado de Assis; e no ano passado, foi lançada em São Paulo a edição em português do "Dicionário Ilustrado de Identificação de Materiais Medicinais Chineses".

Ao passo que os livros vêm sendo traduzidos uns nos outros, as culturas dos dois países entram, de forma compreensível, no mundo dos seus respectivos leitores.

"Celebro também o momento especial em que o Brasil e a China vivem este Ano Cultural, que amplia os caminhos do encontro entre nossos povos por meio da arte, do pensamento e da criação" disse a ministra da Cultura do Brasil, expressando sua esperança de que "a cultura continue uma força viva de aproximação, respeito e construção de futuros compartilhados."