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Diretor do Banco Central do Brasil defende Pix

7 de abril de 20263 min de leitura
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Rio de Janeiro, 6 abr (Xinhua) -- Paulo Picchetti, Diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central do Brasil, defendeu nesta segunda-feira o sistema de pagamentos instantâneos Pix, afirmando que as críticas à ferramenta decorrem de interesses que não se alinham aos da população brasileira, aludindo às preocupações levantadas pelos Estados Unidos.

"Quem fala mal do Pix tem interesses que não são os do povo brasileiro", declarou o dirigente após participar de um evento no Rio de Janeiro, referindo-se às recentes críticas internacionais ao sistema.

Picchetti afirmou que algumas das objeções ao Pix se originam de setores ligados à indústria de pagamentos dos EUA, que poderiam ser afetados pela expansão de um modelo de transferências instantâneas gratuitas para pessoas físicas e de baixo custo para empresas.

"O Pix reduz custos, aumenta a concorrência e amplia o acesso ao sistema financeiro. Isso naturalmente gera desconforto para os modelos de negócios mais tradicionais", declarou.

O diretor do BC enfatizou que o sistema, lançado em 2020 pelo Banco Central, transformou o mercado de pagamentos no Brasil, permitindo transferências instantâneas 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem a necessidade de intermediários onerosos.

Nesse sentido, ele defendeu a autonomia do país para desenvolver suas próprias soluções financeiras. "O Brasil tem plena capacidade para criar instrumentos modernos que atendam às necessidades de sua população, sem depender de modelos importados", observou.

Essas declarações surgem em meio à crescente atenção internacional voltada para o Pix, que tem sido identificado por agentes estrangeiros como uma potencial fonte de distorção competitiva no mercado global de pagamentos digitais.

Analistas no Brasil interpretam essas críticas como parte de uma disputa mais ampla pelo controle da infraestrutura financeira digital, na qual sistemas públicos de baixo custo, como o Pix, desafiam o domínio de grandes empresas privadas internacionais.

Picchetti também destacou que o sistema contribuiu para a inclusão financeira no Brasil, incorporando milhões de pessoas que antes não tinham acesso a serviços bancários tradicionais.

"O Pix democratizou os pagamentos no país. Hoje, qualquer pessoa com um celular pode transferir dinheiro instantaneamente, com segurança e gratuitamente", afirmou.

O governo e o Banco Central têm defendido o Pix como uma ferramenta estratégica para a soberania financeira e a modernização do sistema de pagamentos, em um contexto global marcado pela rápida digitalização da economia.

Com mais de 150 milhões de usuários e um volume crescente de transações, o Pix se consolidou como um dos sistemas de pagamento instantâneo de maior sucesso no mundo, posicionando o Brasil como líder em inovação financeira.