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Brasil não corre risco de escassez de combustível apesar das tensões no mercado de petróleo

11 de março de 20263 min de leitura
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Rio de Janeiro, 10 mar (Xinhua) -- A escalada das tensões geopolíticas no Golfo Pérsico e os riscos para as rotas estratégicas de transporte de petróleo estão pressionando os preços internacionais do petróleo bruto e podem ter efeitos sobre a economia brasileira, embora o país não enfrente risco de escassez de combustível no curto ou médio prazo, segundo especialistas do setor energético.

De acordo com a Federação Unificada dos Petroleiros (FUP), o Brasil tem uma posição relativamente sólida em termos de produção de petróleo, o que reduz a probabilidade de escassez interna mesmo em um cenário de maior volatilidade nos mercados internacionais.

Em declarações publicadas no jornal carioca "O Dia", o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, lembra que o Brasil é autossuficiente em petróleo cru e hoje exporta excedentes. O impacto tende a vir pelo bolso. O país importa derivados, sobretudo diesel, e pode sentir um aumento de preços, ainda que atenuado pela política da Petrobras de "abrasileiramento" de valores.

A estatal deixou de seguir a política de paridade de importação (PPI) em 2023, o que dá fôlego para amortecer oscilações externas. Mesmo assim, Bacelar defende acelerar a autossuficiência em refino e investir em combustíveis sustentáveis, após a venda de BR Distribuidora e Liquigás. A alta do barril, observou, também injeta dólares extras e amplia o superávit comercial.

Para Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a crise reforça a necessidade de expandir a produção interna de insumos estratégicos. O país ainda depende de importações de diesel, querosene de aviação, Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e fertilizantes -- estes últimos com 85% de dependência externa.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram produção média de 4 milhões de barris diários, ante consumo de 2,6 milhões. Essa folga dá "margem de segurança", avalia o economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/FUP). No entanto, os 600 mil barris de derivados importados por dia, sendo metade diesel, podem pressionar a inflação.

O analista ressalta que conflitos costumam redesenhar rotas comerciais e podem abrir espaço para o petróleo brasileiro na Ásia. O desafio, frisa, é blindar o consumidor interno de choques internacionais enquanto o país avança na capacidade de refino e na transição energética.

Diante desse cenário, representantes do setor energético defendem a aceleração dos investimentos para expandir a capacidade de refino e reduzir a dependência externa de combustíveis refinados, bem como a promoção do desenvolvimento de combustíveis mais sustentáveis.